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Padre fala e é suspenso pelo bispo
Polêmica // Religioso e deputado federal, Luiz Couto defendeu uso de preservativos, criticou a discriminação de homossexuais e, por isso, foi punido
Thais Cirino // De O Norte

João Pessoa - O padre e deputado federal Luiz Couto (PT) perdeu ontem o direito de exercer o sacerdócio. A decisão foi tomada pelo arcebispo da Paraíba, dom Aldo di Cillo Pagotto, em virtude de uma entrevista publicada na edição de ontem de O Norte, jornal integrante dos Diários Associados, grupo ao qual o Diario de Pernambuco faz parte. Na reportagem "Padre, deputado e adversário do celibato", Couto afirma, entre outras coisas, que é contra a obrigatoriedade do celibato e a discriminação de homossexuais, além de ser favorável ao uso de preservativo.

Durante a entrevista, o padre-deputado alega que a restrição à vida afetiva e sexual dos religiosos deveria ser opcional e não uma imposição. "Não tem fundamentação bíblica. Deveria ser optativo", afirmou. Ele também opinou sobre outros temas considerados tabus dentro da Igreja como o uso de preservativo e a diversidade sexual. "Defendo o uso da camisinha como uma questão de saúde pública", declarou.

Luiz Couto, que votou a favor do projeto de lei que torna crime a discriminação por causa da orientação sexual, ressaltou seu posicionamento em favor da punição para os que cometem atos de preconceito em relação aos homossexuais. "Devemos lutar no dia a dia contra o preconceito e a intolerância", disse. O parlamentar fez as declarações durante entrevista concedida ao site Congresso em Foco (www.congressoemfoco.com.br).

Por conta dessas declarações, Couto teve o uso de Ordem suspenso por dom Aldo Pagotto. "Quero que ele se retrate publicamente porque foram declarações infelizes e ambíguas", exigiu o arcebispo. Ainda segundo dom Aldo, "a doutrina católica ficou ferida e comprometida com as declarações de Luiz Couto".

Em nota divulgada ontem pela Arquidiocese da Paraíba, dom Aldo argumenta que tomou a decisão tendo como base a confusão que as afirmações de Couto teriam gerado entre os fiéis. "Preposto à Arquidiocese da Paraíba, vejo-me na grave obrigação de suspender o referido sacerdote do uso de Ordem em nossa circunscrição eclesiástica, porquanto, por suas afirmações sumárias, e enquanto perdurem sem retratação explícita, provoca confusão entre os fiéis cristãos, e contraria 'in noce' as orientações doutrinais, éticas e morais sustentadas pela Igreja Católica (Cf. Cânon 1317 CDC)", diz o arcebispo na nota.

Luiz Couto foi informado da determinação de dom Aldo pela reportagem do O Norte. O padre se disse surpreso com a decisão principalmente porque ele e o arcebispo teriam um encontro hoje. O deputado também preferiu não polemizar e alegou apenas que ele tem o direito de expressar suas opiniões, assim como dom Aldo possui suas obrigações dentro da arquidiocese.

Com a suspensão da ordem, que coincide com o início da quaresma, Couto fica impedido de desempenhar atividades próprias de um sacerdote, como celebrar batizados, casamentos e as missas que realizava todos os sábados e domingos na paróquia de São José Operário, em João Pessoa.


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Edição de quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 
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