Os critérios da "bolsa"
Comparar é sempre uma tarefa difícil, porque se pode alegar o uso de critérios subjetivos na eleição disto ou daquilo, mas existe o bom senso para atenuar qualquer pecado. Na confecção da grade do carnaval do Recife, a banda mangue Eddie leva R$ 12 mil de vantagem sobre a excelente Sá Grama, que não conseguiu passar dos R$ 6 mil, ambas bem distantes dos R$ 48 mil pagos a Reginaldo Rossi, esse em franca ascensão: no ano passado, o cachê dele não ultrapassou R$ 22 mil. A explicação para o fato de o rei do brega pernambucano ter o passe tão valorizado na bolsa do carnaval do Recife parece a mesma com que se pode justificar o cachê de R$ 58 mil pago ao cantor Silvério Pessoa por três apresentações. Ou seja, nenhuma. No ano passado, a empresa de Pessoa recebeu 79 mil, independentemente de o show ter a participação de três outros artistas - Mano Chao, Paulo Miklos e Fernando Aniteli. Até onde se sabe, participantes não recebem cachê ou, se recebem, o valor deveria estar no Diário Oficial e eles perderem o tratamento de "convidados". Critérios pouco compreensíveis fizeram, por exemplo, Siba (e sua Fuloresta) ter o trabalho, no carnaval de 2008, remunerado com a bagatela de R$ 90 mil e nesse, caído para R$ 15 mil (mesmo valor pago pela Fundarpe). Se Zeca Baleiro, que teve participação no show, não recebeu nada, exatamente por ser convidado, o mistério sobre a atual desvalorização do passe de Siba persiste. Caso alguém consiga esclarecê-lo, talvez possa, também, dizer o que leva Geraldo Azevedo a continuar ganhando R$ 75 mil por duas apresentações, enquanto (apesar do equívoco de cantar no carnaval e no Marco Zero) a paulista Mônica Salmaso precisou se contentar com R$ 10 mil - o que, no entanto, diante da realidade desse mercado em nível nacional, está longe de se configurar como mau negócio. Pode ser que alguma luz seja lançada sobre essas questões quando (outro) fevereiro chegar.
A dever // A um dia do início da folia, a Prefeitura do Recife não publicou no seu Diário Oficial as informações que faltam sobre outros contratados. E está fazendo escola: a Fundarpe só disponibilizou até ontem, no D.O do estado, dados de algumas contratações, entre elas a da Velha Guarda da Mangueira, agraciada com R$ 50 mil. A Mangueira, a propósito, não tem mais motivo nenhum para querer ficar longe de Pernambuco.
Fartura // E a Fundarpe pagar R$ 120 mil para Marcelo D2 só pode ser uma prova de que, no terreno da Cultura, Pernambuco pode até emprestar "algum" para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tirar o país do atoleiro. Raciocínio que também serve para justificar o cachê de R$ 47 mil ofertado ao DJ Dolores, que no ano passado, na folia recifense, se apresentou por R$ 15 mil.
Discurso ameaçado // A prefeitura e o governo do estado (Fundarpe) devem ter mais afinidades, além da que se vê na forma de remunerar artistas, mas a primeira dá de mil a zero no segundo quando o assunto é Diário Oficial. A versão eletrônica que mostra como anda a caneta do governo bate no usuário de forma tão ruim que pode ameaçar qualquer discurso sobre empenho por transparência.
Ela vai // Não estava nos planos de Elba Ramalho participar da abertura do carnaval do Recife, hoje, mas acertos com uma emissora de televisão levaram a cantora a mudar de idéia. Deve aparecer ao lado de Caetano Veloso numa entrevista. O mesmo canal, inclusive, vai mostrar a folia em Salvador e abre um link direto para exibir a apresentação da artista no Marco Zero.
Só sortudos // Pelo que conhece de carnavais, o presidente da ABIH-PE, José Otávio Meira Lins, não tem dúvidas de que encontrar leitos disponíveis em hotéis do Recife -de amanhã até o fim da folia - vai exigir, mais do que paciência, sorte.
Maracatus // Mais de 50 agremiações de vários municípios da RM e vizinhos se inscreveram para participar do Encontro de Maracatus de Baque Solto, no sítio histórico de Igarassu, a partir das 10h da segunda-feira. Essa segunda edição homenageia o quase bicentenário Maracatu Estrela Brilhante.
Capitanias // No Galo da Madrugada, o clima de negócios está por toda parte, mesmo na Praça Sérgio Loreto em torno da qual, ontem, se viam calçadas demarcadas com traços de tinta, constando número relativo a cada barraqueiro. Parecia um mapa das capitanias hereditárias, embora, nesse caso, os ambulantes só tenham conseguido alugar.
Socorro imediato // O estacionamento externo da Estação Recife do metrô funcionará como heliponto e lá um helicóptero e uma unidade do Samu ficarão a postos para o caso de ser necessário prestar socorro a algum acidentado em estado grave, no desfile do Galo.