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Velha novidade

Os estudos do Greenpeace que mostram a possibilidade de a Zona Sul do Recife estar submersa por volta de 2100 não devem tirar o sono nem do poder público nem da população - ao menos nesse momento quando um e outro não pensam em mais nada a não ser em carnaval. Os prognósticos do grupo, a propósito, não chegam a acrescentar nada de relevante às informações que já se tinha sobre a ameaça. Ela ocupa o centro dos debates há pelo menos três décadas e, de lá para cá, nada houve que apontasse para um caminho diferente. Pelo contrário: o clima de alarde se alastrou, mas sem produzir nenhuma mudança de comportamento, pois os sinais da tragédia anunciada estão por toda parte no litoral. A década passada serviu apenas para dimensionar o tamanho dos estragos e os governos das duas cidades, Recife e Olinda, ficaram como que girando em torno da realidade mapeada pelos estudiosos sem saber por onde começar a trabalhar no sentido de impedir que as cidades sirvam de cenário para um clip (em tom nostálgico) da música Futuros amantes, de Chico Buarque. Independentemente do alerta do Greenpeace, que para parte dos pernambucanos ainda parece obra de ficção, o poder público já deveria estar se descabelando para, enfim, tentar descobrir a melhor maneira de negociar com o mar o que ele reclama de forma cada vez mais furiosa. Mas nem parece perto disso. O assunto praticamente não ultrapassa os muros das universidades e as portas de alguns gabinetes, de forma que os habitantes têm mais chance de acreditar na reedição do boato de Tapacurá - como possibilidade de a Zona Sul do Recife vir a ser uma sucursal de Atlântida - do que nos meios anunciados pelo Greenpeace.

Caviar garantido // Até agora, no ranking dos cachês pagos pela prefeitura às estrelas do carnaval, o cantor Lenine continua na frente, com R$ 120 mil embolsados por duas apresentações. Antonio Nóbrega aparece em segundo, levando R$ 80 mil por um par de shows, e Mundo Livre S/A, R$ 66 mil também por duas apresentações.

Contando dinheiro // Da folia, devem sair muito bem obrigada as finanças do cantor Alceu Valença, que deixou o Baile Municipal com R$ 50 mil na conta. Mas o artista ainda canta no carnaval do Recife e em pólos do governo do estado. Bem mais modesto, porém longe de ser mal pago, Nando Cordel se despede da folia contando R$ 18 mil.

Confetes // Este janeiro entra para o calendário dos empresários de hotéis em Pernambuco como o mais gordinho dos últimos 12 anos, apresentando taxa de ocupação em torno de 94%, segundo dados do Recife Convention Bureau, que esgota o estoque de confetes ao falar do trabalho das secretarias de Turismo do Recife e do estado.

Colheitas // Mas, também, nos últimos 12 anos em Pernambuco não se tem notícia de tanto dinheiro dado por uma prefeitura (a do Recife) a uma secretaria de Turismo (a de Samuel Oliveira). Colheitas assim é que justificam a pressão do trade sobre o sucessor de João Paulo para garantir um segundo mandato para Oliveira.

Tortura // No dia em que a portabilidade passou a vigorar em Pernambuco, o sistema da OI ficou tão congestionado que não adiantaram suadas tentativas feitas pela manhã e à tarde. No segundo expediente, trinta minutos depois de os ouvidos serem torturados com um irritante solo de guitarra, a gravação era interrompida por um atendente pedindo que retornasse a ligação dentro de uma hora.

Muito tarde // O projeto de decoração do carnaval do Recife custa tão caro para uma apreciação tão curtinha. As pontes, por exemplo, começam a ser iluminadas praticamente às vésperas da abertura e os turistas madrugadores as encontram quase às escuras. Como ficam o ano inteiro, até a chegada do Natal.

Mineiro no frevo // A folia pernambucana não é de todo desconhecida para o mineiro Cacau Brasil, que participou do CD dos 30 anos do Galo da Madrugada. Mas, sábado, vai ser batizado de verdade ao subir no trio de André Rio, de quem recebeu o convite para cantar no desfile do clube de máscaras. Brasil andou ensaiando sem trégua o repertório, que tem de Banho de cheiro a Frevo mulher.

Perdidos // Todos os anos, os foliões que voltam para casa de ônibus são obrigados a entrar no "bloco da barata tonta" até descobrir onde foram parar os pontos do centro depois dos acertos entre o Consórcio Grande Recife e a PCR. O presidente do consórcio, Dilson Peixoto, diz que fica na dependência do calendário de montagem da estrutura e ele chega em cima da hora. Este ano, só na semana passada.


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Edição de terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 
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