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Pontos polêmicos do caso Paula



Quem fez os ferimentos em Paula?

A advogada afirma que teve seu corpo cortado por cerca de cem cortes feitos por estiletes. Todo o corpo foi atingido, pernas, braços, barriga e rostos. Os cortes foram realizados por três homens, com roupas pretas e cabeças raspada. Um deles tinha tatuada na cabeça uma suástica, símbolo usado pelos nazistas. Dois homens a seguraram; outro, a marcou com o estilete durante cinco minutos continuamente. A Polícia de Zurique disse, em comunicado divulgado ontem, que se baseia em dados do Instituto de Medicina Forense e fez algumas contestações. A suposição das autoridades suíça é de que os ferimentos podem ter sido causados por terceiros ou por "auto-flagelação", cogitam.

A advogada se autoflagelou?

A família assegura que não. Um médico do Instituto Médico Legal da Universidade de Zurique declarou que os cortes foram superficiais. Disse que eles estão em partes do corpo que poderiam ser alcançados por Paula, sugerindo a autoflagelação. Também alegou que as partes mais sensíveis- como seios e órgãos genitais - não foram cortadas. "Qualquer legista experiente diria que é uma autoflagelação", definiu o representante do instituto apresentado pela polícia. De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Ricardo Viana, consultado pelo Diario, se Paula se autoflagelou, tem algum distúrbio de personalidade. Ela, nesse caso, seria uma exceção à regra. Transtornos como esses não costumam ser comuns em adultos, pessoas com bom convívio social e sem histórico na infância e adolescência. A família afirma que ela não tem históricos de distúrbios

Como se deu o atentado?

Paula diz que conversava com a mãe Geni Ventura, que estava no Recife, e falava em português. Quando desligou o celular, foi atacada e levada para uma área perto da estação de trem em Zurique, onde estava. Entre 19h10 e 19h15, após sair do trabalho numa multinacional de transportes marítimos, iria para casa em Dubendorf, a três quilômetros de Zurique. A família suspeita que Paula Oliveira foi vítima de xenófobos. Além da ligação, dofinal de semana tenso por causa de um plebiscito que avaliou um acordo de imigrantes, o principal indício dado pela família é a inscrição da sigla SVP, partido que prega a expulsão de imigrantes do país. A polícia coloca em suspeição a narrativa do suposto crime. "As circunstâncias que causaram tais feridas continuam não esclarecidas", disseram ontem os policiais suíços em entrevista coletiva à imprensa.

A vítima abortou após as agressões?

Paula e a família garantem desde a terça-feira que ela estava grávida de três meses. Divulgou fotos supostamente tiradas na semana passada, onde ela aparece sorrindo pela chegada das primeiras filhas. Paula diz que, após sofrer o ataque com duração de cinco minutos, teria abortado. A advogada teria sangrado no banheiro da estação de trem onde se refugiou após ser agredida e, logo em seguida, pediu socorro ao namorado, o economista suíço Marco Trepp. A confirmação de que seria uma barriga de gêmeas teria sido dada pelos médicos do Hospital Universitário de Zurique, onde teve socorro, afirmam parentes. A polícia, o Instituto de Medicina Forense e o Hospital Universitário disseram ontem que, momento do incidente, a advogada "não se encontrava em estado de gravidez".

É possível saber se Paula Oliveira estava grávida no dia?

Em tese, sim. A Polícia de Zurique baseia-se no parecer médico do Instituto de Medicina Forense e diz que um exame mostra que ela não estava grávida. A família de Paula garante que tem exames de ultrassonografia que provam a gravidez. Um exame de DNA revelaria o sexo das gêmeas. Segundo a professora da Universidade de Pernambuco e obstetra Jeanine Trindade, ouvida pelo Diario, exames posteriores a um aborto podem dar detalhes sobre uma gravidez interrompida. O útero, explicou falando de forma mais ampla, demora para voltar ao tamanho normal. Jeanine diz que com 11 meses, o feto já está formado com pés e mãos. Se houve o aborto, os fetos foram expelidos ou retirados por curetagem, o que pode ajudar na elucidação do caso


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Edição de sábado, 14 de fevereiro de 2009 
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