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Artes cênicas sob o crivo dos curadores
Janeiro de Grandes Espetáculos serve de vitrine para diretores e produtores dos principais festivais do país garimparem grupos para seus eventos
Tatiana Meira // Diario
tatianameira.pe@diariosassociados.com.br


Artistas de teatro e dança devem comparecer em peso ao salão nobre do Teatro de Santa Isabel nesta quinta-feira, às 15h.

Jacqueline Castro, do 1, 2 na Dança, de Belo Horizonte, acredita que a programação vem melhorando nos últimos anos. Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press
Não se trata de um concerto erudito, mas o espaço normalmente reservado à música e ao canto abre as portas para outras linguagens amanhã. É quando está marcada uma reunião com os curadores convidados para a 15º edição do Janeiro de Grandes Espetáculos, maratona de apresentações que começou no último dia 14 e que continua até o próximo fim de semana. Cabe a estes profissionais, que dirigem e produzem alguns dos festivais mais importantes do país, decidir quem merece alavancar as artes cênicas pernambucanas além das fronteiras estaduais.

"Recife e Porto Alegre são capitais dos extremos, onde os artistas têm vontade de ser reconhecidos no Brasil todo. Me sinto confortável porque não venho com a obrigação de levar ninguém, mas gosto de ouvir os grupos, com respeito e carinho pelos trabalhos. Só endosso artisticamente o que vi demelhor", reforça Luciano Alabarse, diretor do Porto Alegre em Cena, que trouxe também o coordenador adjunto do evento, Alexandre Magalhães. "As ações que acontecem aqui extrapolam o calendário do festival. E as autoridades deveriam valorizar o Janeiro e manter o convênio para as passagens, que é inédito e serve de exemplo para outras prefeituras brasileiras", defende Alabarse.

Para Jacqueline Castro, que entre outras iniciativas, coordena o 1, 2 na Dança, que terá nova edição em setembro, em Belo Horizonte, as relações pessoais e profissionais que se constróem durante o Janeiro não têm preço. "É um namoro em relação a espetáculos e profissionais. E a programação melhorou demais", ressalta Jacqueline.

Não há riscos em mostrar a realidade das artes cênicas locais, na opinião de Dimmer Monteiro, coordenador de programação do Cena Contemporânea Brasília, que caminha para a 10ª edição. "Começamos a levar curadores a Brasília há dois anos porque gostamos da iniciativa daqui. Não existe o compromisso em levar nada.Em 2008 não foi tão proveitoso", admite Dimmer, que ficou bem "impressionado" com a montagem de Deus danado, de Caruaru, mas afirmou ser muito cedo para escolhas.

Diana Morais, do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, o Fitei, de Portugal, assegura que este momento de trocas é essencial para que o teatro pernambucano possa dar um salto qualitativo e se arriscar a seguir novas tendências. "O olhar crítico das pessoas que estão fora daqui, vendo outros tipos de teatro, ajuda muito nesta avaliação", pontua Diana.

Também estão no Recife outros curadores como Sandra Meyer, do Festival de Dança de Joinville; Gilsamara Moura, de Araraquara (São Paulo) e Wenderson Godoy, do Encontro Nacional de Arte Contemporânea, de Ipatinga (Minas Gerais), além de jornalistas como Astier Basílio, da Paraíba, e Macksen Luiz, do Jornal do Brasil, entre outros.

Se depender da vontade dos integrantes da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), a continuação do projeto Recife Palco Brasil - de doação de passagens para que as companhias de teatro e dança participem de festivais nacionais - seria anunciada durante a festa de entrega da premiação do 15º Janeiro de Grandes Espetáculos, que será realizada na próxima segunda-feira, às 19h, no Teatro de Santa Isabel. Ligado à Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, é provável que o projeto continue na nova gestão da Prefeitura do Recife, tendo à frente João da Costa.

"Mas o orçamento geral ainda está sendo avaliado para diversas áreas e a resposta só deve vir após o Carnaval", segundo informação da assessoria de imprensa da Prefeitura. Criado em 2007, pelo ex-prefeito João Paulo, o convênio disponibilizou R$ 50 mil no primeiro ano e R$ 100 mil, em 2008, proporcionando o benefício a três grupos no primeiro ano e 15 companhias, no ano passado, que viajaram para São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. "É uma necessidade da classe teatral e brigamos pela coletividade. A prioridade é para os convidados para os festivais oficiais, seguidos das mostras paralelas e das temporadas. Os festivais custeiam a alimentação e hospedagem dos grupos, mas não as passagens aéreas", explica a produtora Paula de Renor, que coordena o Janeiro ao lado de Paulo de Castro e Carla Valença.


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Edição de quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 
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