Persistir no sonho de concluir o curso de física e desenvolver projetos científicos foi a forma que o cubano Alexei González escolheu para fugir do regime de Fidel Castro. Camponês, ele conta que foi forçado a deixar Havana junto com a família depois que o líder socialista implantou uma política de exclusão para conter a favelização que tomava conta da capital cubana. Há nove anos, o destino foi o Brasil, onde conheceu o baiano José Carlos Aguiar, técnico em prótese dentária e apaixonado por tecnologia. A parceira deu certo e o Grupo OT Prótese inovou com um serviço diferenciado e moderno o mercado de implantes dentários.
Os destinos dos dois se cruzaram em Salvador, quando Alexei González gerenciava um centro tecnológico. "Enquanto ele chefiava toda a equipe de pesquisas, eu era mais um dos que sonhavam em desenvolver projetos para melhorar a vida das pessoas. No meu caso, o objetivo era trabalhar com algo ligado à saúde bucal", revela José Carlos. Nessa época, o setor de odontologia passava por uma revolução, onde os implantes eram a "menina dos olhos" dos cirurgiões dentistas.
Em Salvador, Alexei González participou de um projeto com uma empresa estrangeira para a implantação do primeiro endoscópio (aparelho de vídeo-endoscopia) no Brasil, um estudo pioneiro até então. Por conta de lobbies de outras empresas do setor e dificuldades financeiras, o projeto foi abortado, restando apenas o ideal de melhorar a saúde pública. Depois de algumas tentativas em outros ramos científicos, José Carlos Aguiar teve a ideia de propor uma sociedade ao cubano Alexei. Dessa vez, o mercado a ser explorado seria o de implantes dentários.
Deficiente e com custos elevados, esse mercado necessitava de profissionais capacitados, estratégia mercadológica e documentação científica dos projetos. No início dos anos 2000, Recife foi o ponto de parada de Alexei González, que recebeu um convite para dirigir uma fábrica de plástico. "Até então, eu ainda estava em Salvador e fui convidado por González para trabalhar em mais esse projeto, desta vez no Recife. Posteriormente, decidimos investir apenas no ramo de implantes dentários em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte", conta Aguiar.
Tecnologia - Três funcionários e muita vontade de usar a ciência para melhorar a auto estima de milhares de pessoas quando se trata da aparência e da saúde bucal. Foi tudo o que a dupla de empresários tinha na bagagem. A escolha pelo Recife se deu pela brecha no mercado de próteses, que ainda usava formatos e materiais ultrapassados. Além disso, havia o desejo de produzir peças em larga escala, pois só havia profissionais liberais que tratavam de casos esporádicos de implantes. O alto custo do processo restringia o acesso da população de baixa renda.
A proposta da OT Prótese foi justamente levar reverte este quadro. Para tornar o sonho realidade, Alexei González e José Carlos Aguiar não mediram esforços para explorar todo o conhecimento científico de ambos na nova atividade.Os projetos passaram a utilizar a mais moderna tecnologia na confecção das peças, incluvise softwares avançados de autocad (computer aided design), cada vez mais usado pelo setor industrial. Hoje, a OT Prótese conta com uma equipe coesa de 30 funcionários com serviços pioneiros em todo o Brasil.