Em busca do ideal de beleza vale "quase" tudo para mudar o visual. A ordem é ficar em forma e brilhar no verão. Bronzeamento artificial, clareamento dos pelos, alisamento do cabelo, tinturas, massagens, fornos. São tratamentos estéticos que mexem com o imaginário das pessoas. Nessa época do ano é comum os salões de beleza e as clínicas de estética ficarem lotados. Com o tempo livre das férias, corpos mais expostos ao sol por conta do calor, além da proximidade do carnaval, mulheres e homens se arriscam a mudanças, algumas vezes radicais. É nessa hora que mora o perigo das aventuras que podem fazer da simples ida ao cabeleireiro uma frustração. Ou provocar um problema de saúde, como alergias, micoses e até intoxicação.
A funcionária pública Cristina Fonseca, 45 anos, teve uma experiência traumática após fazer um tratamento capilar à base de guanidina, produto usado nos alisamentos. Ela não conhecia o produto, mas seguiu em frente porque a irmã já havia feito o mesmo tipo de relaxamento. Ao final da aplicação parte do cabelo de Cristina caiu. "Fiquei assustada. Me senti horrível e chorava muito porque eu tinha cabelo de um lado e do outro não tinha nada", conta. Ela procurou um dermatologista e após tratar o couro cabeludo conseguiu a cabeleira farta de volta. O susto trouxe a cautela: "Agora pergunto antes de aplicar um produto, mas fiquei com medo de usar química", completa.
Casos de alergia e queda de cabelo são os mais registrados pela Agência de Vigilância Sanitária. Para evitar contratempos, os consumidores devem tomar algumas precauções quando entram nos salões de beleza, clínicas de depilação e de estética. Isaura Morais, gerente interina da Vigilância Sanitária do Recife, diz que a primeira coisa a observar é a licença de funcionamento do estabelecimento. Segundo a técnica, a iluminação do local, ventilação e boas condições de higiene são fundamentais para evitar problemas de saúde. Lembre-se que a falta de esterilização dos equipamentos podetransmitir doenças como hepatite, dermatoses, micoses e Aids.
Cuidado redobrado com o uso de produtos químicos: tintas, alisantes, descolorantes, relaxantes. Isaura alerta o consumidor para verificar se os produtos têm o número de registro do Ministério da Saúde, além de pedir para fazer o teste de alergia antes de começar o tratamento. Outro detalhe importante: lixas, algodão, luvas e protetores plásticos de bacias são de uso único. Escovas e pentes devem ser lavados com água e detergente após cada cliente. Na depilação as pinças devem ser descartáveis ou esterilizadas e as mesas lisas e laváveis.
Em relação às clínicas de estética, as exigências de funcionamento são as mesmas dos salões de beleza. De acordo com Isaura, se houver algum tratamento invasivo é obrigatória a presença de um médico. "O consumidor deve se informar sobre os produtos que serão aplicados e o grau de risco. As pessoas que têm conhecimento de locais clandestinos devem denunciar à ouvidoria da Vigilância Sanitária", diz. O número é 0800-2811520.