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Esperança contra o câncer
PÂNCREAS // Medicação aprovada pela Anvisa recentemente já está sendo usada em Pernambuco
Juliana Colares // Diario
julianacolares.pe@diariosassociados.com.br


Uma boa notícia para pacientes com câncer de pâncreas em estágio avançado. Após dez anos de espera, enfim surgiu um novo medicamento que promete aumentar a sobrevida de quem sofre com a doença. Trata-se do cloridrato de erlotinibe, lançado no mercado com o nome de Tarceva. Dados do laboratório farmacêutico mostram que pacientes com tumor de pâncreas com metástase (que já se espalhou para outras regiões do corpo) conseguem um aumento de 23% na sobrevida quando a droga é usada em conjunto com a quimioterapia padrão. O mesmo paciente, se fizesse apenas a quimioterapia, teria sobrevida de seis meses, em média. A medicação recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em câncer de pâncreas metastático, em combinação com a quimioterapia, em novembro passado e já está sendo prescrita por médicos pernambucanos.

O aumento no tempo de vida não é considerado alto pelos especialistas, mas pode trazer impactos positivos para muitos doentes, especialmente quando se sabe que esse é o 9º tipo de câncer que mais mata homens e 7º que mais causa a morte de mulheres no país. Em Pernambuco, 135 pessoas morreram no ano passado devido à doença. Tumores de pâncreas representam cerca de 2% de todos os tipos de câncer no Brasil - cerca de nove mil casos por ano. O ator americano Patrick Swayze é um dos famosos que faz tratamento contra a doença.

"Em oncologia, qualquer aumento, por pequeno que seja, é um ganho a mais", observa o mestre na área e oncologista clínico do Hospital do Câncer de Pernambuco, Glauber Leitão. Segundo ele, estudos mostraram que apenas 17% dos pacientes com câncer de pâncreas que não têm indicação de cirurgia alcançam sobrevida de um ano quando tratados apenas com a quimioterapia padrão. Quando se acrescentou o Tarceva a esse tratamento, 23% continuaram vivos em um ano.

"Há muito tempo não tinhamos novidade em tumor de pâncreas, que é um câncer de difícil tratamento e alta mortalidade", afirma Glauber Leitão. Mas o oncologista do Hospital Sírio Libanês Rafael Schmerling faz ressalvas. Ele avalia que apesar de apresentar "pequeno" aumento no tempo de vida, a combinação do erlotinibe com quimioterapia não mostrou melhora significativa em relação à qualidade de vida e à redução da doença. "Isso não vai beneficiar toda a população de pacientes com câncer de pâncreas. Como ele (o medicamento) acrescenta efeito colateral, deveria ser usado em pacientes que têm condição clínica melhor", opinou o especialista, que citou o aumento da diarréia e aparecimento de alterações na pele (parecidas com acnes) como efeitos colaterais do Tarceva.

Arsenal - Segundo ele, a escolha do tratamento deve ser individualizada. "Ele (o erlotinibe) é mais uma arma. Uma alternativa no cenário de uma doença que tem poucas chances", afirmou. O médico Glauber Leitão explicou que nas fases iniciais do câncer, quando o tumor está restrito ao pâncreas, é possível fazer uma cirurgia. Nesse caso, em geral, toda a glândula é retirada. Mas, normalmente, adoença é diagnosticada de forma tardia e a maioria dos pacientes depende de tratamento medicamentoso. Atualmente, seis pacientes com câncer de pâncreas estão cadastrados na Secretaria Estadual de Saúde para receber Tarceva, mas só dois estão indo buscar a medicação.

saiba mais

O pâncreas é uma glândula responsável pela produção de insulina, o hormônio responsável pelo controle do nível de glicose no sangue, e de enzimas que atuam na digestão dos alimentos

Está localizado atrás do estômago, na parte superior do abdome, e tem entre 20 e 25cm no adulto, sendo dividido em três partes:

A maior parte dos casos de câncer se localiza na cabeça da glândula

O risco de desenvolver câncer de pâncreas aumenta a partir dos 50 anos. A maior incidência é na faixa dos 65 aos 80 anos

Sintomas

l A localização do pâncreas no organismo dificulta o diagnóstico

l Em fase inicial, em geral, o tumor se desenvolve de forma assintomática

l Os sintomas dependem da região onde o câncer está localizado. Os mais comuns são perda de apetite e de peso, fraqueza, diarréia e tontura. Também pode haver icterícia

l Em fase avançada, pode haver dor na região das costas. Em geral, a dor começa com pequena intensidade e pode ficar mais forte

l O fumo é o principal fator de risco. Fumantes têm três vezes mais chance de desenvolver a doença

l Bebidas alcoólicas, gordura e carnes em excesso também são fatores de risco

l O Tarceva é uma terapia-alvo de uso oral. Ele age inibindo o EGFR, uma proteína encontrada na superfície de muitas células tumorais

Incidência

l Dados da União Internacional Contra o Câncer mostram que a incidência passa de 10 casos em cada grupo de 100 mil pessoas na faixa dos 40 aos 50 anos para 116 casos em cada grupo de 100 mil em pessoas com 80 a 85 anos

l A maior parte dos casos é diagnosticada em fase avançada. Quando isso ocorre, o tratamento é apenas paliativo

l No Brasil, o tumor de pâncreas representa 2% de todos os tipos de câncer e é responsável por cerca de 4% das mortes por câncer


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Edição de sábado, 10 de janeiro de 2009 
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