Há algum tempo, as efemérides vêm marcando as novidades da indústria cultural que, apoiada no caráter celebratório das datas redondas, abastece o mercado com relançamentos e reedições de obras literárias e audiovisuais com bônus e outros especiais. Outrora comum no campo da astronomia, onde significa o estabelecimento de coordenadas que definam a posição de um astro num determinado período, o verbete "efeméride" se incorpora ao repertório da cultura de massa, através da qual as celebridades do passado voltam aos holofotes da popularidade - que talvez nunca tenha estado ao seu alcance em vida. Se conseguem ir além do caráter hagiográfico que marca as homenagens e celebrações, as efemérides oferecem conhecimento e discussão. As datas redondas também trazem preciosidades literárias, a exemplo das edições de luxo de Guimarães Rosa, em 2006, e, no ano passado, do prolífico debate sobre Machado de Assis, em virtude do centenário de sua morte.
Em 2009, quando se realiza o Ano Internacional da Astronomia e o Ano da França no Brasil, as efemérides estão por toda parte: na cultura popular, música, poesia, filosofia e religião. Uma das mais importantes é o centenário de Dom Hélder Câmara, em 7 de fevereiro. Os centenários, aliás, são os mais cobiçados nesse frenesi celebratório. Quanto mais velho no calendário, mais simbólico no apelo popular. É assim que o bicentenário de Charles Darwin e a comemoração do sesquicentenário de publicação do livro A origem das espécies, de 1859, viraram o Ano Darwin. Eventos sobre o biólogo Charles Darwin organizados por instituições nacionais e internacionais ganham divulgação na mídia brasileira no site www.ano-darwin-2009.org/index.html. Outro bicentenário importante acontece logo agora em janeiro: o nascimento do escritor norte-americano Edgar Allan Poe, mestre dos contos de horror e morbidez, no próximo 19.
Em fevereiro, comemora-se o centenário de Simone Weil, filósofa e militante política que morreu em greve de fome naGuerra Civil Espanhola, em 1943. Mas as atenções devem estar voltadas nessa época ao centenário de Carmem Miranda. Bom momento, aliás, de discutir a estereotipia da identidade brasileira. Em março, a personalidade da vez é Patativa do assaré que junto ao Mestre Vitalino, em julho, representam as efemérides da cultura popular em 2009. Na música, tem o centenário de Ataulfo Alves, em maio; além do aniversário de morte de Heitor Villa-Lobos (17 de novembro) e Dolores Duran (23 de outubro). O aniversário de morte com mais chance de virar sensação é o de Euclides da Cunha, assassinado em 15 de agosto de 1909 pelo tenente Dilemardo, amante de sua esposa Ana de Assis.
E num universo de efemérides do além-túmulo, quem surge toda prosa para comemorar seus cinquenta anos é a Barbie, aniversariante de março.
Serviço
www.ponteiro.com.br
www.ano-darwin-2009.org
anodafrancanobrasil.cultura.gov.br
www.astronomia2009.org