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Fôlego renovado de Abelardo da Hora
Arte // Escultor de 84 anos vive fase produtiva, criando peças monumentais para espaços públicos do Recife
Júlio Cavani // Diario
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br


Aos 84 anos de idade, Abelardo da Hora se encontra em uma fase monumental de sua carreira. Nos últimos cinco

Luiz Gonzaga, Miguel Arraes (à esquerda) e Gilberto Freyre foram recentemente homenageados; obra dedicada ao frevo está na Rua da Aurora. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A. Press
anos, graças a convites governamentais, o artista tem construído novas estátuas de bronze para espaços públicos de Pernambuco. A última delas foi inaugurada na semana passada, no Parque Dona Lindu, e retrata uma família de imigrantes em alusão à mãe do presidente Lula e seus filhos. Outros cinco monumentos recentes feitos pelo escultor homenageiam o frevo, o maracatu, Gilberto Freyre, Luiz Gonzaga e Miguel Arraes.

Essas novas esculturas resgatam traços marcantes da obra de Abelardo da Hora. Duas delas remetem especificamente à série de gravuras Danças populares de carnaval, produzida na década de 1960: o monumento do frevo, que encontra-se na Rua da Aurora, e a estátua em homenagem às nações afro-brasileiras de maracatu de baque virado, localizada em frente ao Forte das Cinco Pontas. "Sou pernambucano da gema e conheço essas manifestaçõespopulares desde criança", assegura.

A família de Lula, retratada no Parque Dona Lindu, pode ser situada entre as temáticas sociais que também sempre estiveram presentes em trabalhos como a série Meninos do Recife (1962). "Ela lembra bastante a peça A fome e o brado, que estava em minha primeira exposição de esculturas, em 1948", recorda. Além do tema, a construção visual dos personagens também reforça o estilo próprio do artista, em detalhes como as formas dos olhos, dos corpos e da cabeça. "Essa é a minha maneira de retratar o povo."

A estátua de Luiz Gonzaga está na rodovia BR-232, que tem o nome do cantor, em uma praça na altura do município de Moreno. O escultor não foi realista no retrato do personagem, mas o modelou de uma maneira que o torne inconfundível, tanto pela presença da sanfona e do gibão quanto pelas feições e pelo porte físico. "Quem olhar, vai reconhecer o Rei do Baião imediatamente", aponta Abelardo, que não considera o resultado caricatural ou cartunesco.

A estátua de Gilberto Freyre, naturalmente, foi erguida no Aeroporto Internacional Recife-Guararapes, que tem o nome do sociólogo, onde também está a escultura de Miguel Arraes. Assim como ocorre com Luiz Gonzaga, elas combinam características da personalidade dos homenageados (manifestadas nas expressões faciais e nas posturas dos corpos) com seus traços anatômicos.

Na década de 1950, Abelardo da Hora esculpiu um conjunto de esculturas para parques e praças do Recife, que retratam trabalhadores populares nordestinos. Para o Parque 13 de Maio, ele fez Os cantadores e o Vendedor de caldo de cana. Na Praça Euclides da Cunha (Clube Internacional, Madalena), está O sertanejo. No Zoológico de Dois Irmãos, se encontra O vendedor de pirulitos. Ele também confeccionou diversos monumentos sobre episódios históricos, como a Restauração Pernambucana e a Convenção de Beberibe.


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Edição de segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 
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