Alguns prefeitos mal assumiram o cargo e suas gestões estão sendo vistas com desconfiança. Os concursos públicos são o motivo. Muitas dessas seleções, embora homologadas há mais de dois anos, ainda não resultaram na convocação de todos os classificados.
 Ingrid Martins espera vaga de auxiliar administrativo em Paulista. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press |
A cobrança pende sobre prefeituras como as de Paulista, Cabo de Santo de Agostinho e Tracunhaém. Mas a esperança de se tornar funcionário público, segundo os candidatos, não morre totalmente, porque os prefeitos foram reeleitos para o segundo mandato na maior parte das cidades.
Ingrid Martins, 26 anos, fez pelo menos seis concursos nos últimos três anos. Em 2006, passou para o cargo de auxiliar administrativo na Prefeitura de Paulista e ainda hoje espera ser chamada "Fiz concursos porque quero ter mais estabilidade financeira", explica. No entanto, ela admite ter pouca esperança na convocação. Isso porque, acrescenta, a tendência é a prefeitura abrigar quem trabalhou para a reeleição de Yves Ribeiro (PSB). Por causa da demora na chamada dos concursados, Ingrid juntou-se a outras pessoas, criou uma comunidade no Orkut e ingressou com uma ação no Ministério Público.
Em Tracunhaém, alguns candidatos impetraram mandados de segurança para garantir uma vaga. "Só não fiz isso porque não tenho condições de pagar um advogado", confessou Gabriela Muniz Porto, 23. Ela concorreu a uma das 26 vagas disponibilizadas para merendeira, obtendo a 11ª melhor nota. O temor de Gabriela é que o governo municipal não prorrogue a validade do concurso. A decisão caberá à prefeita Graça Lapa (PSB), que em outubro derrotou a então prefeita Tereza Barboza (PTB). A reportagem do Diario não conseguiu localizar as duas.
Quanto a Paulista, Eliene Braga, da Comissão de Concurso da Prefeitura, explicou que a validade do exame foi prorrogada para junho de 2010. "Das 120 vagas oferecidas para agente administrativo, 27 candidatos foram convocados. Os demais serão nomeados dentro do prazo estabelecido por lei", assegurou. Ao todo, o concurso disponibilizou 1.374 vagas e mais da metade foram preenchidas até o ano passado.
O estudante Paulo Alexandre da Silva Filho, 26, espera o mesmo da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho. Desse modo, entende, será possível a convocação de todos os aprovados. O nome dele figura na 18ª posição das 20 vagas oferecidas para técnico em laboratório. "Se for chamado antes, melhor", considerou. A descrença de Paulo é baseada na validade do concurso, previsto para vencer em março. Para o secretário de Administração do Cabo, Demerval Florêncio, o temor não possui fundamento. "Se não pudermos nomear todos até março, vamos prorrogar o prazo", disse. Florêncio acrescentou que, entre as 1.473 vagas ofertadas, pelo gestão Lula Cabral (PTB) falta convocar menos de 100 pessoas.