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Costume de casa vai à praia

Antes de passar a régua em 2008 e entregar o bastão ao novo prefeito do Recife, João Paulo assinou o decreto nº 24.312, que se destina a disciplinar o uso do espaço público na orla de Boa Viagem e Pina. Determinação parecida já existe, mas, como se vê no dia-a-dia, tem pouca ou nenhuma serventia. A fiscalização não acontece e, do outro lado, boa parte da sociedade também não colabora - a partir do momento em que estaciona em fila dupla, deixa o lixo na areia e ocupa a ciclovia com carrinhos e cadeiras amontoadas, por exemplo. Pois bem, o novo texto revoga o anterior (nº 17.030/95) e acrescenta mais rigor à utilização desses locais. Entre as regras que deverão vingar nos próximos 60 dias - estimativa da prefeitura para treinar as equipes - estão pelo menos três proibições. Não deverão existir qualquer tipo de comércio no passeio público da orla, com exceção dos quiosques, a venda de bebidas em vasilhames de vidro e tampouco a preparação ou manipulação de alimentos nos quiosques e na areia. Além disso, o decreto "temporão" trata do disciplinamento na veiculação de anúncios publicitários, da instalação de equipamentos sonoros e até da quantidade e do ordenamento das cadeiras que serão colocadas na praia pelos barraqueiros. Está certo, a lei é válida e aplicação, urgente. A fiscalização tem que cumprir o papel, mas sem exageros, porque ninguém quer viver sob vigilância. Mas, não adianta apertar o nó, se o mais difícil de combater talvez seja a (má) educação. Justamente por ser área neutra, cenário democrático, talvez o espaço mais público dos públicos, as orlas - leiam-se no Recife, Olinda, Jaboatão, Paulista etc - sofrem. Quem deve oficialmente tomar conta, não o faz por completo. E quem usa, muitas vezes esquece os (bons) modos em casa.

Peso de ouro // Quanto vale a palavra de um prefeito, no discurso de sua posse? Ao se apresentar no comando do Recife, João da Costa (PT) falou inspirado no poema É Sempre Recife, de Paulo Freire, escrito durante o exílio em Santiago do Chile, em 1969. Declarou mais ou menos assim: "Recife sempre/ Recife, manhã cedo/ Acordei pensando em ti / Tive medo de ferir / Tive medo de magoar". E completou: "Tarde chegando / As ruas atravessando / A câmara se aproximando / O momento exato chegando / Mil lembranças de ti me tomando".

Outra maré // Eram só João Paulo, o assessor coronel José Ramos e a sujeira do réveillon, no tradicional mergulho no mar do ex-prefeito, ontem às 6h, na praia de Boa Viagem. Os garis aproveitaram a brecha para fazer fotos e "recomendar" João Paulo ao governo do estado - enquanto ele mesmo falava em Senado e Câmara à imprensa.

Na puxada // Brasília Teimosa não se comportou bem, digamos assim, na festa da virada. Carroça era mato por lá e os garis tiveram trabalho para recolher o tanto de lixo deixado no lugar, de manhã cedo. Uma das coisas que se salvaram por lá foi o show, no pólo montado pela prefeitura, da Orquestra do Rubinho, com 30 meninos e meninas do bairro. Ao som de frevo, eles instigaram o público, que aguentou a puxada até altas horas. Quando o dia chegou, o maestro ainda promoveu um andança pela orla.


Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press


Mas sofre esta orla de Brasília Teimosa. Ontem, além do "congresso" de cavalos e carroças na areia da praia, flagrado pela reportagem na capa deste caderno, também "decoraram" a praia carros de passeio. Só mesmo nos arrecifes o banhista correto fica a salvo.

Olha o passarinho // As principais atrações do "semi-inaugurado" parque Dona Lindu, no dia 1º deste ano, eram a pista de cooper e a escultura em homenagem à família Lula. Os visitantes se revezavam diante do trabalho de Abelardo da Hora, para capturar o melhor ângulo das fotos.

Mau gosto // Uma cena inusitada e um desrespeito flagrante. O que dois pôneis faziam, ontem à tarde, na pracinha do Entroncamento? Eram a alegria da criançada que brincava no lugar e, lamentavelmente, de dois meninos com cerca de 10 anos de idade, que alugavam os animais para voltinhas no local.

Fluiu bem // Surpreendeu a organização do trânsito no entorno do Cabanga, durante a festa da virada. Em outros eventos feitos no local ficavam carros estacionados sobre o viaduto, tirando uma das faixas de tráfego da via. A Lei Seca, a insegurança, o medo da multa e de parar o veículo ao relento levou os festeiros a usar táxis no réveillon do clube.

Sem heróis // É digna de dó a condição da praça Heróis da Restauração, no bairro de Areias. Em contraponto ao próprio nome, o lugar quase nada recebe em revitalização ou benfeitoria da prefeitura. Pior: o espaço público, que serve à comunidade de 15 mil pessoas, tem sido cenário de furtos e assaltos a moradores e passantes.


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Edição de sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 
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