Ao transmitir o cargo de prefeito do Recife para o aliado João da Costa ontem, João Paulo entrou para a história política pernambucana como o primeiro prefeito reeleito a fazer o sucessor. Um marco e tanto para o primeiro operário a administrar a cidade. Depois de oito anos de gestão, João Paulo deixa a prefeitura fortalecido e com um governo bem avaliado pela população. Tornou-se uma das principais lideranças do estado, ator fundamental nas disputas eleitorais, ao lado do governador Eduardo Campos (PSB) e do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Conquistas que tiveram início há 20 anos, quando ele foi eleito para o primeiro mandato.
Será a primeira vez que João Paulo ficará sem mandato desde 1988, fato que diz encarar com serenidade. O ex-prefeito tem a perspectiva de concorrer ao Senado em 2010, mas, até lá, terá a missão de fortalecer o PT no interior de Pernambuco e em outros estados. Uma tarefa, segundo ele, designada pelo presidente Lula. Existe a possibilidade, no entanto, de João Paulo assumir um cargo no governo federal. Nos últimos tempos, ele tem se aproximado muito de Lula e também da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à presidência do país pelo PT.
Fala-se, inclusive, que João Paulo será um dos coordenadores da campanha da ministra no Nordeste, caso a candidatura dela seja confirmada. O ex-prefeito evita especulações, mas aguarda um convite de Dilma para ir a Brasília nos próximos dias. João Paulo, de qualquer maneira, terá que percorrer o estado para preparar o terreno para sua candidatura ao Senado, pois existem alguns nomes colocados no páreo no campo de esquerda, como os deputados federais Armando Monteiro Neto (PTB) e Inocêncio Oliveira (PR). Ambos têm uma forte base de apoio no interior e, há anos, fazem arranjos políticos de olho em 2010.
Desafio - Com grande popularidade na Região Metropolitana do Recife, João Paulo não repete o mesmo desempenho no interior. O PT administrará apenas oito municípios pernambucanos e terá 109 vereadores - em relação à eleição de 2004, continuou com o mesmo número de prefeitos e aumentou em 27 a quantidade de vereadores. O petista terá, então, que atrair o apoio de prefeitos e candidatos proporcionais de legendas aliadas para fortalecer sua indicação para concorrer ao Senado. O trabalho para as próximas eleições, porém, já começou com a disputa municipal do ano passado.
João Paulo emplacou João da Costa para concorrer à prefeitura com avaliação contrária de muitos integrantes de partidos aliados e de parte do PT. Eles defendiam o lançamento da candidatura de Humberto Costa (PT), atual secretário estadual das Cidades, ou do deputado federal Maurício Rands (PT). O posicionamento de João Paulo causou um desgaste à imagem dele inicialmente, mas a vitória no primeiro turno de João da Costa consolidou a liderança do ex-prefeito e demonstrou sua força política. Paralelamente, João Paulo briga pela hegemonia de seu grupo no PT. Ele criou o Campo Unificado de Esquerda (CEU) que tenta conquistar o comando do partido no estado. Atualmente, o CEU controla o diretório do Recife.