O novo prefeito do Recife, João da Costa, assumiu o governo municipal na tarde de ontem com a promessa de dar continuidade ao projeto político comandado pelo ex-prefeito João Paulo e de administrar dialogando com todos os setores da sociedade. O petista assinou o termo de posse às 16h49 na Câmara dos Vereadores. De lá, seguiu para a Prefeitura, onde era aguardado pelo governador Eduardo Campos (PSB) e pelo ex-prefeito João Paulo (PT). João da Costa proferiu dois discursos. O primeiro, na Câmara, foi inspirado no poema "Sempre Recife", do educador Paulo Freire, escrito em 1969, em Santiago do Chile, durante o exílio. Numa adaptação livre, como o próprio João da Costa definiu, ele expressou seu amor pela cidade e o compromisso de governar para a maioria e lembrou os governos de Pelópidas da Silveira e de Miguel Arraes.
"Tenho o compromisso, junto com o companheiro Milton Coelho, de dar continuidade (à obra de Pelópidas, de Miguel Arraes e João Paulo) e de trabalhar aqui no Recife. Não de forma exclusiva, só com quem pensa igual à Frente do Recife. Vamos ouvir todos da sociedade e esperamos, ao ouvir todos, travar um debate democrático sobre projetos, sobre idéias, mas nunca renunciando as nossas bandeiras históricas em defesa da democracia, da incorporação da qualidade de vida de milhares de oprimidos e excluídos da nossa cidade", declarou.
João da Costa também enfatizou a necessidade de transformar o Recife em uma cidade moderna, com um pólo de serviços, que seja âncora do desenvolvimento econômico do estado. Abordagem frequentemente realizada durante a campanha eleitoral. "Vamos construir um projeto econômico que transforme a cidade, mas que tenha como objetivo cuidar dos mais pobres, que gere riqueza, produção, que faça o Recife crescer, mas que passe a incorporar na sua vida cotidiana os milhares de excluídos que muitas vezes não tiveram oportunidade de trabalho e de construir uma vida de qualidade, que lhe desse condição de exercer cidadania plena", discursou.
Na Prefeitura, João da Costa foi mais informal. Falou para uma platéia de mais de 500 pessoas, depois da despedida de João Paulo, que foi bastante aplaudido pelos presentes. João da Costa destacou a formação da identidade cultural do Recife e a importância da cidade nas lutas democráticas. "Só numa cidade com essas características seria possível a gente constituir, ao longo da sua história, uma frente como a Frente do Recife", disse.
Em seguida, ressaltou que poderá enfrentar dificuldades na gestão por causa da proximidade das eleições de 2010. "Setores conservadores da nossa cidade, órfãos de um projeto ideológico e político para esse país, sem formular um projeto para a cidade ou para o estado, vão buscar uma política, muitas vezes, rebaixada o exercício legítimo e democrático da oposição", alfinetou.
O novo prefeito também não esqueceu de homenagear João Paulo. "Minha formação como militante passa pela convivência de mais de 20 anos com esse companheiro. Com ele, aprendi valores fundamentais de pensar política com estratégia, de manter o compromisso inabalável na luta dos trabalhadores e oprimidos, e de saber aproveitar as oportunidades que a nossa luta nos proporcionou (para melhorar a qualidade de vida das pessoas)".