Belo Horizonte - Ao tomar posse ontem, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), disse que não é "um político de carreira" e não tem "essa vocação", observando que dificilmente se envolverá com as discussões relacionadas às eleições em 2010. Empresário e ex-secretário de Desenvolvimento Social, Lacerda foi eleito com o apoio de uma aliança firmada entre o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), que miram, respectivamente, os palácios do Planalto e da Liberdade. O prefeito também é ligado ao deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), sempre cotado como possível presidenciável. Desde que saiu vitorioso das urnas, Lacerda tem demonstrado que pretende no Executivo consolidar a marca de gestor. Nos discursos de ontem, deu mais ênfase à preocupação com o impacto da crise econômica no orçamento municipal. "Com ponderação e transparência faremos ajustes orçamentários que vierem a ser necessários e que menos impacto tenham sobre serviços e as áreas fundamentais para a vida da cidade", afirmou. Ele enfatizou que seu compromisso nos próximos quatro anos é administrar bem a capital mineira, com gestão compartilhada, inclusão social, respeito ao equilíbrio financeiro e estabelecimento de metas a serem cumpridas por todos os setores do Executivo.
Aécio Neves não compareceu à cerimônia de posse de Lacerda. O governador foi representado pelo vice, Antonio Anastasia, que reafirmou o compromisso do governo estadual de manter uma "parceria estreita" com a prefeitura da capital. No seu discurso, o prefeito elogiou os apoiadores, afirmando que Aécio e Pimentel "entenderam que os interesses de uma cidade, de uma coletividade precisam se sobrepor aos interesses meramente pessoais das disputas partidárias". Lacerda também agradeceu ao presidente Lula, "que demonstrou o seu apoio à minha candidatura e de quem ouvi o compromisso, ao me receber em seu gabinete na semana seguinte ao pleito de 26 de outubro, de continuar sendo um parceiro nas conquistas e avanços da nossa cidade".