Brasília - A aula é sobre Roma antiga. Em vez de apenas ouvir as explanações dos professores, os alunos transportam-se das carteiras direto para a Via Appia. Entram no Coliseu, exploram os fóruns imperiais, conversam com gladiadores. Tudo isso sem sair de casa.
 Sala de aula virtual dentro do programa da internet Second Life. Os bonequinhos são representações de alunos de verdade conectados pela web. Programa será testado no Brasil. Foto: Second Life/Reprodução |
O que poderia ser apenas ficção científica hoje é possível graças ao mundo virtual. Cada vez mais, plataformas como o Second Life - que permite ao internauta criar um personagem (avatar) e navegar por um universo criado eletronicamente - são usadas como aliadas da educação a distância. Ao contrário dos métodos tradicionais, elas permitem a interação em tempo real. E num ambiente de três dimensões, o que, para especialistas no assunto, é a principal atração dessa tecnologia, já considerada uma revolução na maneira de ensinar.
Os mundos fictícios são uma amostra de como a interação via web pode ser positiva na educação. "Esses ambientes trazem uma sensação de proximidade que dificilmente é obtida por outros métodos a distância. Além disso, oferecem uma série de ferramentas, como chats de texto, de voz, em grupo, e também permitem que as aulas fiquem mais práticas", diz o professor João Mattar, co-autor do livro Second Life e Web 2.0 na Educação.
Para quem não está habituado ao Second Life, a plataforma consiste em um conjunto de ambientes que simula a realidade e funciona 24 horas por dia. Assim que instala o programa em seu computador, o usuário cria um avatar, sua representação naquele meio. Pode- se escolher desde a cor do cabelo ao sexo - quem é homem pode ter um avatar feminino e vice-versa, por exemplo. Personalidade formada, é hora de explorar as possibilidades do novo mundo. Em frações de segundos, é possível sair da Universidade de Oxford, na Inglaterra, para a Praia de Copacabana, no Rio. Os avatares também interagem. É só puxar assunto e esperar pela resposta, que pode ser escrita na tela ou mesmo falada, caso os computadores possuam microfone. Com as teclas do micro, o usuário se movimenta. Anda, sobeescadas e até voa.
Embora criado para o entretenimento, o Second Life, mundo virtual mais difundido na internet, foi aos poucos ganhando vocação para a educação. No Brasil, há duas ilhas, onde diversas instituições de ensino são representadas. O professor João Mattar, porém, acredita que falta explorar melhor as ferramentas que a plataforma oferece. "Por enquanto, a maioria das instituições no Brasil está concentrada na construção de prédios e na propaganda dos cursos. Faltam projetos pedagógicos", acredita. Já nos Estados Unidos, o processo está mais avançado, segundo Nicholas Cop, presidente de uma empresa de consultoria especializada em Web 2.0 e mundo virtual. Ele conta que até a escola de direito de Harvard já dá aulas por meio do Second Life. É possível, por exemplo, simular um tribunal do júri com elementos dignos de filmes hollywoodianos. O mundo virtual permite, ainda, construir maquetes arquitetônicas - e entrar nelas -, objetos de design, modelos de engenharia, moléculas e diversas outras estruturas que facilitam o aprendizado.