Nas festas de ano-novo tem certas coisas que não faltam: gente vestida de branco, fogos, contagem regressiva
 Arte: Jarbas / DP |
para a virada do ano e, claro, as comidas! Mas, que comidas? Peru, nozes, amêndoas e champanhe? Será que as pessoas que moram no interior do estado, naqueles locais bem distantes do centro, comem no réveillon os mesmos alimentos que o pessoal da capital?
Buscando tirar essa pulga atrás da orelha, e descobrir um pouco sobre o que os nossos vizinhos andam comendo, o Diarinho conversou com alguns pesquisadores da área para tentar descobrir as principais diferenças existentes na mesa de quem é do interior do estado e de quem é da capital nessa reta final do ano. E não é que a gente achou um monte de coisas interessantes!
Para começar, segundo a pesquisadora da Fundação Gilberto Freyre, Fátima Quintas, na cidade muita gente já compra a comida pronta. "Vai na padaria e compra tudo já feito ou encomenda para outra pessoa fazer", diz. Já quem mora na zona rural, os pratos são preparados pela própria família, ao invés de se comprar tudo prontinho no supermercado.
As passas, nozes e amêndoas que fazem parte da nossa mesa no fim de ano (e são importadas!) nem sempre estão na mesa de quem mora no interior. Muitas vezes isso acontece pelo alto preço desses produtos ou por conta da dificuldade de acesso a eles, que não são vendidos em todos os lugares.
O folclorista e presidente da Comissão Pernambucana de Folclore, Roberto Benjamin, conta que muitas vezes esses elementos importados, como passas e nozes, são substituídos por outros que fazem parte do dia-a-dia das pessoas e que são fáceis de achar, a exemplo do amendoim e castanha de caju. Nessa época de fim de ano, no interior, você encontra uns cones (feitos de papelão ou papel) com amendoim e castanha dentro, e eles fazem a alegria da garotada.
Fora essa substituição, é possível que, no interior, você não encontre peru e bacalhau na mesa. Nos locais mais distantes do centro, pela zonarural, na ceia vai ter bode assado, galinha ou porco. "A mesa da zona rural é bastante farta naquilo que se obtém com mais facilidade. Em geral, no interior se come muito bode cozido. Então, no fim de ano, fazem diferente, preparam o bode assado", explica Fátima Quintas.
Outro detalhe interessante é que muitas vezes esses animais são abatidos em casa. Isto é, as pessoas criam o animal em casa e depois o matam quando está perto da festividade. Sabia que há uns 30, 40 anos no Recife também era assim?
Com relação à bebida, os adultos aqui na cidade costumam beber champanhes. Já no interior, a cachaça e a batida (mistura de água ardente com suco de frutas) tomam o lugar daquela bebida francesa.
Doce - Talvez você não tenha escutado falar no alfenim (um doce árabe que chegou por aqui através dos portugueses), mas ele é um doce presente nessa época no interior do estado. Ele lembra um suspiro, é feito à base de claras de ovo, açúcar e farinha de trigo, e chega a derreter na boca.
Um outro doce que era bastante popular no interior também é o chouriço, feito com sangue de porco. Mas esse está um pouco desaparecido por conta da dificuldade de se encontrar o sangue desse animal.
Curiosidades
l Às vezes quando uma pessoa está bastante ansiosa com alguma coisa, algumas pessoas dizem "você não é peru para morrer de véspera", querendo dizer que a pessoa não deve ficar ansiosa ou nervosa com algo que ainda não aconteceu. Essa história do "peru" tem origem nesse período do ano, quando muitas pessoas matavam o peru em casa, na véspera da festividade.
l Antigamente, dizia-se quando uma pessoa era doce ou frágil que era ela era um "alfenim"
l No ano-novo, muita gente come romã. Essa é uma fruta da região mediterrânea e pelo grande número de grãos que têm é considerada fonte de riqueza. As pessoas comem a romã na festa da virada e costumam guardar algumas sementes na carteira, a fim de que no próximo ano consigam riqueza.
l A festa de ano-novo tem origem francesa, no século 19. Não tem nada a ver com religião, é apenas uma festa para marcar a virada do ano. A côrte francesa aproveitava essa festa para fazer um banquete com comidas diferentes das do dia-a-dia, trazendo as especiarias para a ceia.
l Antigamente, só as pessoas muito ricas bebiam champanhe. No fim de ano, as pessoas tomam essa bebida acreditando que trará sorte e riqueza, já que é uma bebida que só os ricos bebiam.