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Dívidas

Para a gente do interior, João Paulo, apesar do preconceito social de que se diz vítima, seria uma daquelas pessoas nascidas com certa parte da anatomia virada para a lua. Aos olhos do povo do Recife, um prefeito que, para além do carisma, soube dar resposta razoável às expectativas dos habitantes por uma qualidade de vida melhor, uma cidade mais cidadã. Na pesagem desses oito anos, se sobressaem os acertos, evidentemente, mas há dívidas que só não chegam a causar frustração porque foram repassadas ao sucessor, João da Costa. Outras não têm remédio mesmo, não há como ser pagas e ficaram atravessadas na garganta de parte da população como comida mal engolida. Caso da construção das torres da Moura Dubeux, no Cais de Santa Rita; a passarela da Avenida Herculano Bandeira (cara demais para o objetivo a que se propõe); a dinheirama paga à dupla Sandy & Júnior (desculpe, prefeito, insistir no assunto); o projeto da Avenida Conde da Boa Vista, até hoje chamuscado pelas críticas; o fiasco em que se transformou a homenagem ao Recife pela Estação Primeira de Mangueira, desde sempre nunca entendida como proposta ousada de mostrar a cidade para o mundo; a decisão de se manter distante da luta pela redução da violência. Nesses momentos, não parece ter funcionado muito bem a interpretação da conjuntura planetária que o prefeito sempre encomenda ao seu guru astrológico. Acontece. As obras prometidas e deixadas em banho-maria (o reordenamento do espaço urbano; a despoluição visual; o término de alguns itens do Projeto Orla; o combate a abusos sonoros; a ampliação da malha cicloviária #), essas, pelo compromisso do sucessor com a continuidade do projeto político, deveriam ser para ontem. Até para não pesar como julgamento ruim sobre o governo de João, que se despede com créditos de sobra. Foi dos melhores que o Recife já teve. Sem dúvida.

Desabafo // Chega ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco carta dramática assinada pelo traumato-ortopedista Antônio Rodrigues de Freitas relatando as condições precaríssimas de atendimento no Hospital de Serra Talhada, que absorve pacientes de 30 cidades do Sertão do Pajeú. No desabado, aponta falta de profissionais, de condições de atendimento, salários abaixo da crítica.

Toalha jogada // Depois de relatar as agruras vividas - as maiores, segundo ele, em 25 anos de profissão -, Freitas decidiu entregar o cargo se dizendo descrente em medidas salvadoras. Não leva fé nem no Termo de Compromisso assinado há 90 dias entre as maiores instituições do estado ligadas à saúde e a SES. Jogou a toalha.

Corda bamba // A situação também não anda às mil maravilhas no Hospital Regional de Limoeiro. Uma fonte que se compadece do fim de ano magro enfrentado pelos médicos da unidade garante que eles estão sem receber o salário desde outubro, razão pela qual decidiram ficar em casa mesmo. Como não conseguem traduzir a corda bamba em que vivem, ainda são julgados da pior maneira pela população.

Queridinhos // Finda a era João Paulo, dois nomes muito conhecidos nos meios culturais da terra têm motivos de sobra para se despedir com lágrimas de agradecimento à gestão: o artista plástico Abelardo da Hora e o maestro Spok. A propósito, Abelardo acaba de ter mais uma obra abençoada com a tesoura do município, desta vez na frente do Forte das Cinco Pontas: o Monumento ao Maracatu.


Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A Press


Nem por fora nem por dentro o sanitário público que a prefeitura mantém no cais da Aurora consegue estimular a população a usá-lo. As condições de higiene são ruins além da conta.

Livros // O Banco do Brasil termina o ano caindo nas graças da Defensoria Pública de Pernambuco, que ontem recebeu da instituição 95 títulos de livros destinados a reforçar o acervo da Biblioteca Mércia Albuquerque. A Caixa Econômica Federal já avisou que pretende seguir o mesmo caminho.

Antes tarde // Faltava a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) anunciar a festa de confraternização da categoria com a imprensa e ela acontece nesta segunda-feira, a partir das 18h, no Bar Central. O presidente da casa, Jayme Asfora, assina o convite.

Projeto social // A escola de informática Infobrother começa a implantar seu projeto social de ajuda a creches que trabalham com meninos e meninas pobres. A primeira a receber curso gratuito é a Casa da Criança Marcelo Asfora, no bairro de Casa Forte, que também cuida de adolescentes.

Pernas para o ar

A partir desta segunda-feira até o dia 4 de janeiro, a coluna estará sendo assinada interinamente pela jornalista Ana Braga. Desejo a todos um excelente ano.


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Edição de domingo, 28 de dezembro de 2008 
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