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Terceira Idade // Depressão leve, mal de idoso
Sintomas são confundidos com um cansaço prolongado e, muitas vezes, o problema de saúde é tratado de forma equivocada
Rafael Dias // Diario
rafaeldias.pe@diariosassociados.com.br


Com a chegada do ano novo e as reflexões sobre o que passou, a fragilidade emocional aumenta. Os sintomas se confundem com um cansaço prolongado, o paciente prefere ficar recluso em casa e, na maioria das vezes, o mal-estar é tratado de forma equivocada, com o uso de polivitamínicos e chás.

Zuleide Rotondaro superou quadro de depressão, voltou a sorrir e a pintar quadros nas horas vagas. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Pouco diagnosticada por familiares e até médicos, a depressão menor ou subsindrômica afeta uma parcela significativa da população idosa no Brasil - 15% das pessoas acima de 65 anos, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). O número é a metade da incidência da depressão maior, comum em jovens e adultos. A doença que se caracteriza como uma leve desordem psíquica passa, no entanto, quase imperceptível em consultórios e ambulatórios. Estatísticas apontam que cerca de 50% dos casos não chegam ao conhecimento dos médicos.

O que diferencia a depressão geriátrica das ocorrências de mesma natureza em adultos está na intensidade doquadro clínico. Quase sempre o idoso depressivo apresenta um ou dois sintomas gerais da patologia, tais como fadiga e dores musculares. São poucas as ocasiões em que eles se queixam de apatia profunda ou fobia social. Também é raro ficarem em estado de prostração na cama, sem ânimo para se levantar - quadro mais recorrente nos jovens. Com sintomas que se assemelham a um simples resfriado ou mal-estar passageiro, o mal é desprezado e acaba evoluindo para conseqüências mais graves, como internamento semi-intensivo e suicídio. "Normalmente, acham que a doença é um fator normal do envelhecimento e, por isso, não levam o idoso a fazer consulta", alerta o geriatra Alexandre de Mattos, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Pernambuco.

Segundo o especialista, o quadro patológico é mais comum em idosos que jovens e, apesar de aparentar ser menos agressivo, pode servir de porta de entrada para outras doenças. "Quando não tratada, a depressão subsindrômica pode levar a um aumento da mortalidade por outras doenças, como problemas cardiovasculares, câncer, infarto e isquemia cerebral. Além disso, pode trazer mais riscos de infecção, por diminuir a imunidade", afirma Alexandre. Ainda de acordo com ele, os fatores de risco da depressão menor podem ser de ordem psicossocial, como a perda recente de cônjuge ou filho, ou de origem biológica. Com a idade avançada, os neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e dopamina), que garantem a propagação dos estímulos nervosos e a sensação de bem-estar, perdem a ação entre os neurônios.

Para o tratamento, a recuperação pode aparecer em poucos meses. Geralmente, são usados medicamentos antidepressivos que auxiliam na recaptação da serotonina, além de terapia psicológica e atividades quem recuperam a auto-estima. A aposentada Zuleide Rotondaro, 80 anos, superou um quadro de depressão menor grave há menos de um ano. Ela chegou a ser internada por 15 dias em uma UTI. A infecção nas pernas foi agravada após saber da morte de uma irmã. Depois do uso contínuo de remédios e de sessões de fisioterapia, em dois meses ela voltou a sorrir. Hoje viaja com a família para o interior e, nas horas vagas, pinta quadros. "Estou me sentindo muito melhor. Antes nem queria pôr o pé fora de casa", compara.


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Edição de domingo, 28 de dezembro de 2008 
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