A noite de 24 de dezembro é um momento especial, uma data para reunir a família. No entanto, nem todos
 Imóvel de número 355 fica na Rua Santa Tereza, centro da cidade. Com a batida, (detalhe) teve a fachada parcialmente destruída. Foto: Roberto Ramos/Aqui PE/D.A Press |
tiveram a ceia de Natal esperada. Na madrugada de ontem, por volta de 2h, a professora Edna Ferreira, 44 anos, jantava com os familiares na residência de sua mãe, a poucos metros de casa, quando recebeu uma triste notícia: um automóvel desgovernado havia atingido seu imóvel. A residência de número 355 da Rua Santa Tereza, no centro de Paulista, Região Metropolitana de Recife, foi parcialmente destruída por um carro. Na direção estava Stênio Gomes, que confessou à polícia ter cochilado ao volante.
Edna havia saído de casa por volta das 21h. Estava reunida com a família quando recebeu a notícia. "Olha o presente que Papai Noel deixou para mim", disse, inconformada. O carro, um Kadett cinza, de placa CIA-8872, acertou a porta e derrubou parte da parede da frente da residência. Alguns móveis, como o sofá, ficaram estragados. Vasos e porta-retratos quebraram-se com o impacto. A sala ficou repleta de pedaços de concreto.
No momento do acidente, policiais que faziam a ronda pelo local avisaram os vizinhos. A funcionária pública Eulenita Bezerra, 54 anos, mora em frente à casa de Edna. "Era madrugada e ouvi aquele barulho estranho. Eu tinha escutado um carro em alta velocidade e já desci imaginando o acidente. Fiquei impressionada quando vi o estado da casa de Edna, mas eu já sabia que não havia ninguém lá", contou a vizinha. "Como alguém vem numa reta e depois bate desse jeito? Acho que ele estava bêbado, drogado ou então era doido", especulou.
De acordo com os moradores, o condutor do veículo, Stênio Gomes, aparentava estar embriagado e tentou fugir do local, mas foi detido pelos populares. "Enquanto as pessoas examinavam a casa, ele foi andando pela rua, mas a gente percebeu", disse Eulenita.
Em depoimento na Delegacia de Plantão de Paulista, Stênio confessou que dormiu enquanto dirigia. Ele contou que havia pego o carro emprestado com um amigo porque ia para a casa da namorada, no bairro de Arthur Lundgren I, em Paulista, de onde teria saído por volta de 1h. O veículo possui cerca de R$ 1 mil em multas.
No Instituto de Medicina Legal (IML) no Recife, Stênio fez exames de alcoolemia que deram negativo. Após prestar depoimento na delegacia, ele foi liberado. "Ele disse que está desempregado há três meses e que não tem dinheiro para pagar o prejuízo. Mas ia tentar pagar o tijolo e o cimento. Perdi muitas coisas e estou com um buraco enorme na casa. O que vou fazer?", questionou a professora Edna.
O filho da professora, o estudante Max Felipe, 17 anos, também lamentou o ocorrido, mas ressaltou o fato de ninguém ter ficado ferido. "Foi muita sorte não ter ninguém em casa. Demoramos a voltar porque a ceia atrasou", explicou o rapaz, que é editor de um jornal comunitário que circula na cidade.
A reportagem tentou entrar em contato com o delegado plantonista Augusto Veloso, mas não obteve retorno. O comerciante Paulo Sérgio, 40 anos, proprietário do veículo,disse que ainda não conversou sobre os detalhes do acidente com o amigo. "Stênio me contou que não tinha bebido, mas admitiu que cochilou no volante. Ele é maior de idade e sabe o que fez de errado. Agora vai ter que arcar com os gastos", declarou. Paulo também lembrou do momento em que o amigo pediu o veículo emprestado. "Ele falou que ia pegar alguma coisa na casa de uma amiga, estava lúcido e aparentava estar bem, então emprestei o carro", revelou.