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A saga do patrocínio
MARATONA // Atletas pernambucanas de destaque nacional "penam" para conseguir apoio e seguir forte nos treinamentos
Juliana Ramos // Diario
julianaramos.pe@diariosassociados.com.br


Fim de ano, fim de ciclo para a maioria. Aos atletas, início de uma velha rotina: a saga da busca por patrocínio. Para os amadores, um duelo mais difícil que os travados no dia-a-dia. Em Pernambuco, ainda pior. Joanna Maranhão, Yane Marques e Higlécia Clariane que o digam. Três pernambucanas destaques na modalidade que defendem. Todas, no entanto, a procura de patrocínio. Joanna é a única que, embora tenha perdido a maioria, ainda usufrui de apoio. As outras duas estão (sobre)vivendo do bolsa-atleta estadual, cujo valor varia de acordo com a categoria e classificação do competidor no ano.

Incrível é ver duas atletas olímpicas 'penando' para conseguir renovar o(s) patrocínio(s). "Mal voltei da China e me deparei com o fim dos contratos. Parece que nada adiantou estar nos Jogos Olímpicos de Pequim com transmissão global representando o Brasil", retrucou Yane, a única representante brasileira do pentatlo moderno. Ela e dezenas de atletas que representam o País nas competições internacionais estão preocupados com o que vai ser do novo ciclo olímpico. Afinal, sabem que para sonhar com a medalha, é preciso "para ontem" recomeçar o trabalho. Mas não foi o que pensou a maioria dos financiadores.

Joanna participou de duas Olimpíadas (2004 e 2008) e representa, ao lado de Fabíola Molina, o topo da natação feminina brasileira. No mês passado, ganhou uma medalha de prata e uma de bronze na Copa do Mundo de Natação em Estocolmo, na Suécia. Foi notícia nos jornais do país e do exterior. Fora das piscinas, no entanto, precisa do apoio do treinador João Reynaldo, Nikita, para seguir com o que mais sabe fazer: nadar. "Eu fico muito triste com a situação dos amadores locais. Cada vez mais vemos que é preciso sair de Pernambuco para crescer. É uma pena", lamentou a nadadora.

Recentemente, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) sinalizou que não vai mais apoiar esportes. Cortou a verba destinada a Joanna e Yane. Para a última, o dinheiro representava cinco vezes mais do que está ganhando agora. A empresa alegou que decidiu mudar o foco do benefício, já que pretende investir em cultura e meio ambiente. Joanna perdeu ainda o contrato da empresa de telefonia Oi e da Prefeitura do Recife. Até o momento, o prefeito João da Costa não informou se vai ou não manter a oferta. A CBDA e os Correios são os únicos patrocinadores da nadadora (até este mês).

"Não há nenhuma garantia para 2009. Fim de ano é sempre assim. Mudam os gestores, muda a política da empresa. Como a maioria dos contratos é anual, o patrocínio ao atleta é o primeiro a ficar de fora neste período de corte de gastos", contou Nikita.

Yane Marques perdeu não só o apoio da Celpe, em agosto, como o da Funtec, em setembro. Teve uma queda de padrão de mais de 200%. "Não se pensa no atleta, nem na ajuda que o dinheiro vai dar para o desenvolvimento dele no esporte. Só se patrocina pensando no retorno imediato à empresa", desabafou a atleta de Afogados da Ingazeira.


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Edição de sexta-feira, 26 de dezembro de 2008 
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