A diplomação do prefeito e dos vereadores de Ipojuca, ontem, transformou-se em cenas de constrangimento. Ao discursar, o prefeito releito Pedro Serafim (PDT) disse ser vítima de uma "perseguição implacável". Os responsáveis pela perseguição, segundo ele, seria "um ou dois membros" do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A poucos metros, o promotor Roberto Brayner, autor da ação que resultou na inegibilidade do prefeito e dos vereadores por três anos, acompanhava o discurso.
Em tom de desafio e desabafo, o pedetista avisou que o MPPE teria, a partir de agora, o enfrentamento, pois passaria a rebater as denúncias contra o seu governo. Serafim acrescentou que as denúncias seriam uma armação contra o seu governo e para favorecer o ex-promotor Miguel Sales, que tentou concorrer à prefeitura. Pedro Serafim insatistafeito também criticou o Diario por publicar reportagens sobre o processo e a decisão da juíza Ildete Veríssimo de torná-lo inelegível.
O MPPE, ainda ontem, impetrou outra ação judicial. Nela, pede-se a cassação dos mandatos do prefeito, do vice-prefeito e dos dez vereadores. Os motivos para isso seriam o loteamento de cargos na prefeitura, a manutenção de publicidade institucional e distribuição gratuita de bens e serviços durante a campanha.
Serafim não ficou apenas no discurso. Ele saiu do fórum sem assinar o termo de diplomação e quando Brayner falaria. O gesto do prefeito foi acompanhado por dezenas de correligionários, que gritavam palavras de ordem contra o promotor. "Críticas são normais, mas não daquela forma. Nunca esperei por cenas assim", confessou Brayner. O promotor disse estranhar as críticas do prefeito, pois os objetos de suas ações não foram inventadas. "Tudo está comprovado. Não inventei nada", frisou.
Brayner adiantou que encaminhará cópia do discurso de Serafim para o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão. O objetivo é que o material seja analisado e, se possível, sejam abertas processos contra o prefeito de Ipojuca.