Mesmo com a credibilidade conquistada ano após ano, além de um público cada vez mais presente, o 11º Virtuosi enfrenta certos contratempos estruturais.
 Naná Vasconcelos vai se virar com um naipe de cordas. Foto: Beto Figueiroa/Agência Aurora |
E parte dos desfalques atinge, justamente, o grande homenageado deste ano. Naná Vasconcelos, considerado pela crítica especializada como um dos maiores percussionistas do mundo, não vai contar com a orquestra inteira, resultado dos cortes de custos do festival e dos patrocinadores. Para contornar a situação, já que o suporte será apenas com o naipe de cordas, Naná resolveu se adaptar e apresenta duas peças: Vozes e O berimbau.
A primeira peça tem 20 minutos e a segunda com apenas quatro. "Ia fazer com a orquestra completa, mas como não vai ter, farei duas peças somente com as cordas, que é o material disponível durante o evento", explica. O Berimbau foi escrita por Egberto Gismonti e gravada em 1980 com músicos da Orquestra Filarmônica de Stuttgart (Alemanha). Naná já fez o concerto completo (com a orquestra inteira) na Noruega, França, Inglaterra, Argentina eSão Paulo. Antes da apresentação, contudo, Naná ainda tem três solos: Vamos pra selva, Recife nagô e O som da chuva.
Apesar de não poder contar com a orquestra em sua estrutura completa, Naná não desanima. "De todo modo, estamos falando do extremo som, o encontro dos extremos. Trouxe instrumentos que vieram do folclore, do popular, unificando ao erudito. Mantenho isso do meu trabalho. A orquestra poderia usar a percussão toda, mas o concerto é sempre o mesmo, é este trabalho que consegui em juntar o popular e o erudito. É um desafio, claro, mas quero mostrar que a música não tem barreiras, o maestro não pode ficar de costas para o futuro. Neste ponto, o Virtuosi me dá esta oportunidade", comemora.
Outro grande destaque do 11º Virtuosi é o instrumentista Christian Lindberg. Em matéria de sopro, o sueco é comparado aos mestres Miles Davis e Louis Armstrong. Ele volta ao Recife para apresentar Kundraan, obra de sua autoria e ainda inédita no Brasil, finalizada quando o músico esteve na cidade. A Orquestra Virtuosi acompanha Lindberg sob a regência do maestro Rafael Garcia e o instrumentista ainda ministra uma aula na Cultura.
Demais destaques incluem o contratenor francês Philippe Jaroussky, o violinista alemão Nicolas Koeckert, a pianista russa Kristina Miller-Koeckert e o grupo formado por Ilya Gringolts, Anahit Kurtikyan, Rafael e Leonardo Altino, e a pianista Marianna Shirinyan.