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Fogo amigo do PSB contra os juros altos
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, socialistas marcam posição crítica à política econômica do governo


Mesmo aliado fiel ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSB marcou uma posição crítica à política econômica do governo em relação às ações do governo federal para reduzir os efeitos da crise econômica mundial no Brasil. Na posse da nova direção do PSB nacional, com a recondução do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência do partido, realizada ontem no Recife, os socialistas foram enfáticos na defesa da redução de juros. "É insuportável o Brasil assistir as taxas de juros arbitradas no país. Quando nações baixam suas taxas para garantir o crescimento, o Brasil mantém nos mesmos patamares. É hora de dizer basta", discursou Eduardo para uma platéia com a presença da cúpula do PSB e de prefeitos eleitos pela legenda.

O Comitê de Política Monetária (Copom), reunido na última quarta-feira, decidiu não alterar a taxa de juros básicos da economia brasileira (Selic), que continua em 13,75%. Apesar disso, o Copom sinalizou que poderá passar a reduzi-la a partir da primeira reunião de 2009, atendendo à pressão do próprio Lula. "Nós temos a maior taxa de juros real do mundo, é chegada a hora de mudanças que ainda devem ser operadas", acrescentou Eduardo. A posição teve a corroboração do deputado federal Ciro Gomes (PSB), ex-ministro da Fazenda, durante a gestão de Itamar Franco, e da Integração Nacional, no governo Lula. Ele rompeu um silêncio de seis anos ao censurar o Banco Central.

O atual momento brasileiro, para os socialistas, pode representar um marco na vida partidária do PSB. Segundo Eduardo, é chegada a hora de levar o debate sobre "a ruína do modelo econômico neoliberal" à sociedade. "A crise não chegou à economia real. Ela, no entanto, pode tomar diversos tamanhos a depender das decisões que tomaremos nos próximos 60 ou 90 dias", afirmou. Ele anunciou que o partido elaborará um planejamento estratégico para 2009 a ser apresentado ainda no primeiro trimestre do próximo ano. O documento trará as propostas dos socialistas para vencer a crise.

É possível, porém, visualizar o conteúdo do planejamento a partir das posições tomadas pelos representantes do PSB durante a posse da direção. Ao final da solenidade, o partido divulgou uma nota em que defende seis pontos para enfrentar a crise. São eles: o fortalecimento do mercado interno com políticas que garantam a oferta de crédito, a manutenção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ampliação dos programas de proteção social, adoção de uma nova política de juros, medidas tributárias capazes de estimular a geração de empregos e políticas mais ativas de combate às desigualdades regionais.


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Edição de sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 
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