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Personalidade // Com mais tempo para cantar

Lia quase não conseguia acreditar. Estava no carnaval do Rio de Janeiro, desfilando no carro alegórico. Mesmo defensora da cultura genuinamente pernambucana, participar da festa do samba, na cidade maravilhosa, era um sonho. Ainda mais para contar a história do frevo.

Lia de Itamaracá agora é embaixadora da Casa da Cultura. Foto: Emiliano Dantas/Divulgação
A narrativa acima aconteceu no carnaval deste ano, quando o frevo virou enredo da Mangueira. A personagem em questão é Maria Madalena Correia do Nascimento, mas que todos conhecem mesmo por Lia de Itamaracá, cirandeira de 64 anos, patrimônio vivo de Pernambuco desde 2005. Hoje, às 14h, Lia recebe mais um título: o de embaixadora da Casa da Cultura. A partir de agora, todas as terças e quintas-feiras, a cirandeira vai apresentar seu repertório - de coco de raiz, loas de maracatu e cirandas - na antiga Casa de Detenção, no bairro de São José.

"Vou ter mais tempo para me dedicar ao que realmente amo, a música", revela Lia. Há menos de um mês, a cirandeira deixou a função que exerceu por 26 anos em uma escola estadual da Ilha de Itamaracá - a de merendeira. "Na hora do recreio, eu sempre cantava, dançava com os alunos. Já estou com saudades. Vou lá de vez em quando". O salário de merendeira foi o que sempre sustentou Lia de Itamaracá, mas ela não reclama. "A música me ajuda muito. Eu não desisto não. Se você ama a cultura, tem que continuar e o meu sonho sempre foi cantar. Hoje sou cantora, sou Lia".

Com o novo compromisso como embaixadora, Lia terá que se dividir entre a Casa da Cultura e o Espaço Cultural Estrela de Lia, na Ilha de Itamaracá. Lá, são realizadas oficinas de ciranda e de instrumentos de percussão e apresentações. Cantando desde os 12 anos de idade, Lia conta que começou a se apresentar aos 19. À época, trabalhava em um restaurante - durante a semana, cozinhava. No sábado, fazia ciranda.

Além da apresentação de Lia, quem for à Casa da Cultura também poderá conferir uma exposição de fotos que retrata a trajetória da cirandeira e a sua produção musical. A mostra fica emcartaz até o dia 9 de dezembro. A Casa da Cultura abre de segunda a sexta, das 9h às 19h, e aos sábados e domingos, das 9h às 14h. A entrada é franca.


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Edição de sexta-feira, 28 de novembro de 2008 
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