A atenção dada à hanseníase nos cursos de saúde será o assunto do encontro que acontece hoje na Universidade Federal de Pernambuco. No 1º seminário de educação em hanseníase do estado, profissionais da área, professores e pacientes vão discutir a forma como a doença é tratada no currículo acadêmico. A intenção do evento é chamar a atenção dos futuros profissionais para a importância de estudar a doença que ainda não foi extinta em Pernambuco. Só em 2007 surgiram 3.175 casos novos diagnosticados. Desses, 343 pessoas tinham menos de 15 anos. Neste ano os dados ainda são parciais. Até setembro foram constatados 1.668 casos, sendo 167 em menores de 15 anos.
A coordenadora do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN/Recife), Raphaela Delmondess acredita que os números de casos podem diminuir a partir de iniciativas como essa. "Recebemos muitas reclamações dos pacientes com relação ao atendimento dos profissionais de saúde. Ele dizem que ainda sofrem preconceito, que recebem o diagnóstico equivocado ou tardio. Foi daí que partiu a idéia de discutir com os estudantes e professores para que eles dêem mais destaque a doença". Assim como Raphaela, Ana Wilma Saraiva, técnica da coordenação estadual do programa de controle a hanseníase, defende a discussão do tema. "Hoje a grade curricular aborda a doença muito superficialmente", diz. No evento, serão distribuídos exemplares do caderno especial sobre hanseníase publicado no Diário, cujas repórteres Silvia Bessa e Marcionila Teixeira concorrem na categoria regional do Prêmio Esso de Jornalismo.