Calote
A impunidade contra crimes de racismo tem um campo fértil demais para se desenvolver no Brasil, justamente a pátria de um povo que só não perde para a Nigéria, em termos de número de negros - o baiano. A primeira das bênçãos que ela, a impunidade, recebe vem da falta de compromisso dos poderes com a eliminação do preconceito, apoiados na crença de que ele não existe ou pode esperar para depois, diante de crimes considerados, digamos, de julgamento mais urgente. Habituamo-nos todos ao preconceito velado e mesmo quando ele se manifesta da forma mais repugnante, o caminho para a punição parece um labirinto. Falta celeridade nos processos e estrutura para recebê-los, o que fica claro em dados colhidos aqui mesmo, em Pernambuco. Dos 131 crimes de racismo contra negros investigados entre os anos de 1998 e 2005 pela Polícia Civil, em apenas um deles o autor foi condenado. Na impossibilidade de uma análise mais profunda, que obrigaria a descer a questões históricas que a sociedade não está nem um pouco animada a revisitar, o melhor é definir a situação como fruto do descompromisso. Nenhum esforço para se pagar dívida muito antiga com a raça, o que, pelo tempo, já se configura como verdadeiro calote. Este Dia Nacional de Consciência Negra deveria se inscrever entre as datas do calendário nacional que mais fazem o Brasil corar de vergonha. Os Estados Unidos - viu-se - já começou a pagar essa conta. E bem.
Prateleiras vazias // São pelo menos 90 pessoas vítimas de leucemia mielóide a reclamar que há dois meses não recebem, pelo estado, o medicamento Glivec (mesilato de imatinib). Cadastradas, precisam pedir socorro ao Hemope para conseguir o remédio, porque a maioria não tem como recorrer ao próprio bolso. Um mês de tratamento não sai por menos de R$ 5,5 mil.
Igarassu ri // Entre os municípios presentes à Reunião Plenária Estadual de Saúde Bucal, em Garanhuns, o que teve o melhor motivo para sorrir foi Igarassu. Apareceu como a única cidade a alcançar cobertura acima de 70%, porque tem o maior número de equipes de saúde bucal no universo daquelas com menos de 100 mil habitantes.
Elemento novo // O réveillon do Recife está longe ser um produto consolidado e, por si só, independentemente das atrações, não conseguiria atrair milhares de visitantes, como defende a Secretaria de Turismo. Mas há dois elementos novos, este ano, que, provelmente, ajudaram a colocar a cidade como a primeira do Nordeste em vendas de pacotes para a festa: a campanha Recife te quero e a crise, que frustrou os planos de viagem para o exterior.
Esforço recompensado // A lógica da campanha direcionada para o mercado das agências de viagens no Brasil inteiro emprega uma lógica simples, simples: os agentes que mais convencerem, em termos de turistas embarcados para cá, são candidatos a prêmios rechonchudos - de carros a motos. Assim, é óbvio que a lei do esforço recompensado ajudou na boa performance de vendas de pacotes para a festa.
 Foto: Gil Vicente/DP/D.A Press |
A beleza das jangadas de Boa Viagem ajuda a arrefecer a má propaganda em torno dos ataques de tubarões na praia. Que diminuíram não porque os animais entraram de férias, mas porque a população já guarda a devida distância regulamentar deles.
Preparando // O governo do estado vem tentando melhorar o nível do quadro de servidores. Depois de capacitar mais de 3 mil em cursos superiores feitos com descontos, graças a acordos fechados com 20 instituições de graduação e pós-graduação, a SAD anuncia a criação do Curso Superior de Tecnólogo em Gestão Pública, pela UPE. A primeira turma terá 50 vagas para servidores da área que ainda não colocaram o pé numa universidade.
À espera // O conselheiro Federal Ricardo Correia aguarda posição do Senado sobre parecer seu, substitutivo do projeto de lei nº 06/2007, que institui a suspensão dos prazos processuais de 20 de dezembro a 20 de janeiro, período conhecido como férias forenses ou férias de advogados. A aprovação na OAB, é claro, foi por unanimidade.
Cinema e psicanálise // Uma vez por mês, a Sociedade Psicanalítica do Recife ( 3226-0462) faz uma sessão de cinema aberta ao público, com a participação de um crítico da chamada sétima arte e de profissionais como psicólogos, psiquiatras e psicanalistas. Neste sábado, às 16h, na última exibição do ano, Sonata de outono, de Ingmar Bergman. Entrada, R$ 7.
Ajuda em dobro // Afora a crise, que para as agências de receptivo é quase santa, a área musical tem dado uma ajuda e tanto aos empresários locais do ramo. Primeiro faturaram uns bons trocados com a venda de passagens, ingressos, hospedagem e traslados para os shows de Madonna no Brasil (Rio e São Paulo, 14 e 18 de dezembro), agora, de Elton John (São Paulo e Rio, 17 e 19 de janeiro).