Paris (EFE) - O ministro da Defesa francês, Hervé Morin, anunciou ontem que em 8 de dezembro iniciará a missão da União Européia (UE) contra a pirataria no Golfo de Áden. Morin, cujo país exerce neste semestre a presidência da UE, disse à imprensa que a missão, que envolverá cinco ou seis navios de guerra, começará em 8 de dezembro, antes do que era inicialmente previsto. O ministro francês ressaltou que os navios europeus terão três missões: "escoltar os navios de marinha mercante dos armadores que pedirem e os navios do Programa Alimentício Mundial da ONU (PAM), além de fazer operações de controle da zona com aviões de patrulha marítima".
Segundo o Organismo Marítimo Internacional, 94 navios foram atacados por piratas somalis no oceano Índico e no golfo de Áden este ano, um número muito elevado em comparação a 2007. Na terça-feira, piratas somalis capturaram um navio grego nas águas do Golfo de Áden. É o terceiro seqüestrado em apenas um dia, após um pesqueiro da Tailândia e um cargueiro de Hong Kong. "Ainda se sabe muito pouco sobre esse último navio", afirmou Andrew Mwangura, diretor do Programa de Assistência Marítima (PAM), com sede no porto queniano de Mombaça.
Estes três últimos navios foram capturados pelos piratas após o seqüestro no sábado do petroleiro saudita Sirius Star nas águas do Oceano Índico, cerca de 800 quilômetros (430 milhas) ao sudeste de Mombaça. Segundo Mwanguara, o petroleiro está desde a 5 milhas do litoral de Eyl, na região de Puntlândia, no nordeste da Somália.
O petroleiro transporta 2 milhões de barris de petróleo e leva a bordo uma tripulação de 25 pessoas, dois de nacionalidade britânica, dois poloneses, um croata, um saudita e 19 filipinos. Os piratas que seqüestraram o Sirius Star exigem um resgate em dinheiro e afirmam que já há negociadores no navio, segundo uma gravação sonora atribuída a um dos seqüestradores e divulgada pela rede de televisão Al Jazira.
Com esta embarcação, são 18 o número de navios sob poder de piratas somalis hoje, com mais de 300 marinheiros seqüestrados, segundo dados da Organização Marítima Internacional (OMI). Os somalis utilizam lanchas rápidas para se aproximar dos navios e abordá-los, depois ameaçam tripulantes com armas e tomam o controle. Além disso, contam com cúmplices em terra que utilizam equipamentos de alta tecnologia para captar comunicações e evitar ataques das embarcações da Marinha de vários países que tentam evitar as ações dos criminosos.