Brasília - Os presidentes do Brasil e da Coréia do Sul se encontraram ontem no Palácio do Planalto para fechar acordos de cooperação em áreas como agricultura e mineração. Mas os apelos para a conclusão da Rodada de Doha sobre o comércio mundial é que chamaram a atenção. Lula afirmou que a conclusão da rodada é uma "necessidade urgente". O tema foi citado no documento final do encontro, no qual os dois chefes de estado ressaltaram que "uma rápida conclusão das negociações da Rodada de Doha de Desenvolvimento é fundamental para o revigoramento da economia global". O texto destaca que ambos são favoráveis a uma reforma na ONU, com a ampliação do número de membros permanentes no Conselho de Segurança - máxima instância decisória da instituição. O Brasil é candidato a uma vaga fixa no conselho.
Lula previu que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderá abrir novas oportunidades de negócios entre as duas nações. "Penso em projetos como o do trem de alta velocidade, o Plano Nacional de Dragagem e a construção naval, em que a capacidade tecnológica coreana é reconhecida internacionalmente", disse. Essas parcerias, segundo o presidente, são ainda mais importantes por conta da crise financeira global. Em 2002, o comércio do Brasil com a Coréia do Sul era de US$ 1,9 bilhão. No ano passado, pulou para US$ 5,4 bilhões.
Entre os projetos bilaterais acertados, dois ganham destaque. O memorando de entendimento sobre cooperação tecnológica em agricultura promoverá uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência de Desenvolvimento Rural da Coréia. Laboratórios de pesquisa coreanos serão instalados no Brasil e a Embrapa vai abrir laboratórios no país asiático. Já os memorandos de entendimento na área de mineração aproximarão o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e seu equivalente coreano.
Lee Myung-Bak disse ter ficado "impressionado com o esforço" do Brasil nas negociações internacionais. Segundo o sul-coreano, o Brasil e a Coréia do Sul começam a sedestacar no "papel de liderança" das discussões econômicas. Sobre a Rodada de Doha, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou considerar improvável que o governo de Barack Obama rejeite um acordo final. Segundo Amorim, o democrata tem uma visão multilateralista e dificilmente contrariaria um consenso celebrado por 153 países, entre eles os Estados Unidos. "Nesse caso, é muito melhor ele aceitar", ressaltou o chanceler. Para Amorim, a conclusão do texto de Doha, que até poucos meses atrás poderia ser considerado "chocho", hoje daria um sinal positivo para a economia real.