Brasília - A promessa de mudança que levou Barack Obama à Casa Branca já vem sendo motivo de cobrança por parte de republicanos - e até democratas -, dois meses antes de o presidente eleito tomar posse. Para alguns críticos, o governo que Obama está montando se assemelha demais ao de Bill Clinton, com diversos nomes "repetidos". Entre os ex-membros do governo Clinton cortejados por Obama estão Rahm Emanuel, já confirmado como chefe de Gabinete, e Eric Holder, que pode assumir como secretário de Justiça, além de Bill Richardson, Lawrence Summers e Peter Orszag, cotados para o Departamento de Estado, o Tesouro e a Receita, respectivamente.
As especulações de que Obama teria convidado Hillary para comandar a diplomacia aumentam ainda mais a lista dos nomes ligados a Clinton. Ontem, mais um foi anunciado pelos jornais como certo: o do ex-líder democrata no Senado Tom Daschle, para conduzir o Departamento de Saúde e Serviços Humanos.
Robert Kuttner, um analista liberal, autor do livro Obama's Challenge (O desafio de Obama), considera que o sucessor de George W. Bush deve ampliar o leque na hora de escolher o gabinete. "É como se as únicas pessoas competentes fossem veteranos da administração Clinton. É preciso que ele tenha cuidado em definir quantos 'clintonistas' vai selecionar".
Para Lanny Davis, ex-conselheiro de Bill Clinton, a "mudança real" está relacionada às políticas, não às pessoas. "A questão é com o que os americanos se preocupam. E eles estão preocupados com a economia, com empregos, com educação. Para eles, não importa quem ocupará determinado posto no próximo governo".
No começo da noite de ontem, o presidente eleito anunciou mais quatro nomes que o acompanharão na Casa Branca. O principal estrategista da campanha, David Axelrod, será assessor sênior; a senadora Lisa Brown, secretária da equipe; o renomado advogado Greg Craig, conselheiro da Casa Branca; e o diretor legislativo de seu gabinete no Senado, Chris Lu, assumirá como secretário de Gabinete.