Uma população estimada em mais de 734 mil pessoas no Brasil, mas ainda com pouco acesso aos sistemas de saúde, educação e ao mercado de trabalho. Apenas em Pernambuco, os indígenas são cerca de 39 mil (a quarta maior população no país), divididos em 11 etnias. Na tentativa de contribuir para a inserção desta população no mercado de trabalho, a Caixa Econômica Federal está abrindo 300 vagas de estágio para indígenas em todo o Brasil para os níveis médio e superior, em diversas áreas. As oportunidades serão preenchidas de acordo com as necessidades do banco em cada estado, sem determinação específica de vagas por unidade da federação.
O protocolo de intenções foi assinado esta semana entre a Caixa Econômica e a Fundação Nacional do Índio (Funai), com vigência de dois anos. "Estamos assumindo uma ação de responsabilidade social, de ajudar essas pessoas a se inserirem no mercado de trabalho e concluírem os estudos", justifica o gerente operacional de Responsabilidade Sócio-Empresarial da Caixa, Olavo Perondi.
A idéia, segundo Perondi, partiu de viagens que fez ao Mato Grosso, quando visitou algumas aldeias indígenas e ouviu relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelos índios para permanecerem nas universidades e terem uma formação. "Eles até conseguem acesso ao ensino superior, por causa da política de cotas, mas muitos não permanecem porque não têm condições financeiras de se manter, comprar livros, alimentos", explica.
Perondi ressalta a importância do estágio para dar uma vivência e contribuir com o aprendizado dos alunos. "Sabemos que 300 vagas é pouco, mas tem um caráter simbólico, pois os indígenas podem ter acesso a estágio na Caixa através de outros meios, inclusive através da cota do Prouni - que tem duas mil vagas atualmente".
Para participar da seleção de estágios de nível superior, a Caixa exige que o estudante esteja no terceiro semestre letivo, para cursos de três a três anos e meio de duração, e no quinto semestre para cursos com quatro e cinco anos.
Há vagas para áreas como administração, direito, psicologia, comunicação, engenharia, entre outras. As inscrições devem ser feitas nos chamados agentes de integração: Centro de Integração Empresa-Escola-CIEE (
www.ciee.org.br) e Instituto Euvaldo Lodi-IEL (
www.iel.cni.org.br).
Na avaliação da administradora da Funai em Pernambuco, Estela Parnes, a iniciativa da Caixa deveria servir de exemplo para outras empresas. Segundo ela, os estudantes indígenas têm muita dificuldade para conseguir emprego e estágios, devido ao preconceito e à falta de conhecimento sobre sua cultura. Ela estima que cerca de 80% da população indígena na faixa etária adequada tenham o nível médio completo, enquanto 30% possuam o nível superior.
"Entre os fatos que acontecem está o não entendimento das empresas sobre os rituais indígenas e a resistência em abonar algumas ausências justificadas pela participação dos alunos nestes eventos. Esta ação é uma oportunidade de acesso e aprendizado para os estudantes", afirma Estela Parnes.
Saiba mais
População Indígena do Brasil
Total - 734 mil pessoas*
Em Pernambuco - 39 mil pessoas, distribuídas em 117 mil hectares de terras no Agreste e no Sertão**
Principais etnias em Pernambuco - Pankararu, Truká, Tuxá, Pipipan, Atikun, Fulni-ô, Xukuru, Pankaiuká, Kaninapawá, Kambiwá
* Censo 2000/IBGE
* Dados da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Pernambuco