Não foi o caos, mas o mercado imobiliário sentiu o baque da crise e passou a conviver com o receio dos consumidores, que colocaram um freio nas intenções de compras. Aos poucos, a situação começa a dar sinais de recuperação. E para garantir que as vendas retomem à normalidade já existem empresas investindo em promoções. Estão de olho também em quem se desiludiu da Bolsa de Valores e agora está em busca de um produto mais conservador para investir.
"Cada empresa segue sua estratégia. Pode ser que, passado esse momento mais crítico, a empresa ache que é o momento de fazer alguma promoção pontual para acelerar a velocidade das vendas", diz Marcello Gomes, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE). Ele explica que a associação tem reuniões semanais para discutir o momento do setor e "algumas possibilidades" estão sendo construídas. Gomes mantém a perspectiva de crescimento do segmento em torno dos 10% em 2008.
A Pernambuco Construtora lançou no último domingo a campanha Zera Estoque 2, oferecendo condições de pagamento facilitadas em oito empreendimentos (quatro começaram a ser construídos agora, três estão quase finalizados e um está pronto para morar). Além do pagamento de 20% até as chaves e a possibilidade de financiamento em até 300 meses, o interessado também ganha seis meses de condomínio grátis ou um valor fixo pelas parcelas mensais até receber o apartamento.
Quem tem dinheiro para pagar de uma vez só pode conseguir bons descontos. Cada proposta é analisada separadamente. Os preços dos apartamentos variam de R$ 115 mil a R$ 630 mil. A campanha segue até 16 de fevereiro. "A crise não pode ser uma ameaça. É claro que sentimos uma retração nas compras. Também adiamos alguns lançamentos. Mas temos que tentar reverter a crise em oportunidades. Quem tinha dinheiro na Bolsa pode agora querer comprar um imóvel por causa da segurança", diz Cristina Klein, responsável pelo marketing da Pernambuco Construtora.
Mudança - O engenheiro eletrônico Bruno Paes Barreto, 27 anos, tinha boa parte dos investimentos em fundos de ações. Há um mês e meio, decidiu tirar tudo de lá, mesmo contando com uma carteira de papéis fortes, como os da Petrobras e do Banco do Brasil. "Minha galinha dos ovos de ouro virou um patinho feio. Na incerteza de como ficaria o mercado, preferi optar por uma coisa mais certa". Ele comprou um apartamento no BlueVille, condomínio-clube que a Queiroz Galvão lançou em Candeias.
"É para investir mesmo, porque eu não pretendo ir morar tão longe", conta o engenheiro, que hoje mora no bairro de Casa Forte e acredita que o imóvel vai se valorizar bastante com a construção da Ponte de Paiva e os novos empreendimentos de Suape. Como não teria todo o dinheiro para pagar à vista, Bruno decidiu dar entrada no apartamento e colocar o restante temporariamente na poupança até decidir com a gerente em que fundo de renda fixa aplicar. A intenção é quitar o imóvel nas chaves.