Em tempos de crise financeira, o setor empresarial sofre abalos que, em alguns casos, se revertem em quebra, falência, falta de investimentos e desemprego. Prever dificuldades e traçar estratégias de defesa do patrimônio é tarefa restrita a poucos gestores. Enfrentar dificuldades e dar continuidade à visão empreendedora são duas características presentes na trajetória da Drogafonte, distribuidora de medicamentos hospitalares que, depois de 25 anos de atuação, pode se orgulhar em contribuir com a economia de Pernambuco.
A Rua Imperial foi palco do que seria o embrião da empresa. O ano era 1983 quando Eugênio da Fonte Filho, abriu uma pequena farmácia na garagem de uma transportadora da família com sete funcionários. No primeiro ano, as vendas não corresponderam às expectativas e a farmácia precisava de um novo rumo. "Notamos que havia uma certa dificuldade dos hospitais em relação ao estoque de remédios. Decidimos sair do balcão e investir nas carências do mercado farmacêutico, visitando hospitais e realizando parcerias", contou Eugênio.
Um dos primeiros convênios realizados foi com o Imip, através da variedade e entrega de medicamentos. A estratégia deu certo e o próprio hospital passou a divulgar a distribuidora, que em pouco tempo ficou conhecida. A partir desse momento, laboratórios farmacêuticos se interessaram em conhecer a forma de trabalho da Drogafonte, que foi convidada a participar de licitações do setor de saúde. A finalidade foi justamente fornecer estoque para hospitais públicos. O lucro dos primeiros negócios era revertido em estoque para suportar a demanda de pedidos.
O crescimento foi rápido. Não tão veloz como o crescimento do país, que enfrentava a duras penas as conseqüências do Plano Cruzado, responsável pelo congelamento de preços e falta de produtos nas prateleiras do comércio. "Lembro-me que faltava de tudo no mercado, principalmente produtos farmacêuticos. O congelamento fez com que as indústrias do setorproduzissem apenas o que dava mais lucro", recordou Filho. Desde então, as dificuldades foram superadas e a empresa passou a ter um produto de maior valor agregado dentro de um mercado carente.
Expansão - A participação nas licitações públicas foi responsável por um faturamento maior e consolidação da Drogafonte nos primeiros anos. A possibilidade de poder negociar preços e prazos também teve seu papel no crescimento da distribuidora. No início da década de 90, a empresa decidiu expandir os negócios e passou a trabalhar com a linha hospitalar. Sete anos depois, foi a vez dos materiais odontológicos fazerem parte da portfólio da Drogafonte. Em 2002, mesmo com a primeira sede já modificada, a empresa adquiriu o segundo prédio, ainda na Rua Imperial.
Há quatro anos, uma nova unidade central foi comprada no bairro da Várzea, em uma área em torno de 3 mil metros quadrados. Hoje, a Drogafonte conta com um quadro de funcionários de aproximadamente 100 pessoas e 35 representantes comerciais em todo o Brasil, além deatuar nos estados de Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe na Região Sudeste. "Superar um plano econômico que acabou com muitas empresa foi nossa maior vitória. O nosso crescimento se deve ao espaço que ocupamos junto à rede pública e às parcerias com os laboratórios", disse Filho.