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Íbis // Quando o melhor é ser o pior
Íbis faz 70 anos amanhã e quer aproveitar a fama de pior time do mundo para crescer e voltar à elite do futebol pernambucano
Tarcísio Ferraz // Diario
tarcisioferraz.pe@diariosassociados.com.br


Quando se reuniu para criar uma equipe de futebol em 15 de novembro de 1938, aquele grupo de funcionários da Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco provavelmente tinha apenas a intenção de disputar partidas amistosas com os amigos. Nem de longe pretendia tornar o nome adotado para a equipe famoso no mundo inteiro. Muito menos de maneira tão desabonadora quanto com o título de pior time do mundo.

Hoje, a companhia não existe mais, mas o Íbis, aquele time criado por seus funcionários, ainda mantém a fama. Não só isso. Completando 70 anos amanhã, o clube está prestes a dar um novo passo em sua trajetória que deixaria ainda mais surpresos seus fundadores. De olho no potencial de sua marca, os dirigentes do Tabajara da vida real pretendem transformá-lo em clube empresa, com direito a centro de treinamento para formação de novos jogadores, grupo de investimento e metas que, se concretizadas, podem levá-lo a figurar entre as quatro maiores forças do futebol pernambucano.

De todos os planos traçados pela diretoriado Íbis, que fará o projeto em parceria com uma empresa de investimentos, o mais ambicioso é o do CT. A intenção é construi-lo na Região Metropolitana do Recife, em colaboração com uma prefeitura, com direito a quatro campos oficiais e hotel-concentração. A proposta do clube fala em desenvolver no centro um vasto projeto social, para ajudar crianças e adolescentes de comunidades carentes com escolinha de futebol e aulas de formação profissional.

A idéia é que esses projetos sejam em parte financiados por um grupo de investidores que está sendo criado com o intuito de arrecadar recursos para o Íbis. A empresa de investimentos poderá explorar a marca do clube. Com tudo isso, o Íbis espera voltar a revelar grandes jogadores, como ocorreu em seus tempos áureos, antes de receber o apelido que o trouxe ao mesmo tempo fama e constrangimento. E também figurar, como ainda não chegou a acontecer nestas sete décadas, entre os grandes do futebol pernambucano.

As metas estabelecidas no projeto não deixam dúvidas: voltar àprimeira divisão estadual em 2010, disputar a Série C do Brasileirão até 2012 e a Série B em 2014. Ambicioso demais? Se alguém dissesse a algum daqueles funcionários que o time deles ainda seria assunto na imprensa internacional no início do século XXI, talvez ouvisse a mesma resposta.


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Edição de sexta-feira, 14 de novembro de 2008 
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