O consórcio da Região Metropolitana e Litoral Norte ainda é um projeto. Nem sequer ganhou formato legal. Mas há quem veja nele parte da solução de um problema crônico dos pequenos municípios: o planejamento. Os prefeitos eleitos de Araçoiaba, Abreu e Lima, Goiana, Igarassu, Itamaracá, Itapissuma e Paulista acreditam que o consórcio possibilitará troca de experiências e racionalização de recursos para se conseguir verbas destinadas a setores considerados essenciais. O intercâmbio ajudaria na elaboração de projetos técnicos e até na contratação conjunta de consultorias.
"A falta de mão-de-obra especializada em planejamento é um nó", reconhece o prefeito eleito de Itamaracá, Rubem Catunda (PT). Tanto que o político pretende recorrer a especialistas logo que assuma a gestão. O objetivo, segundo ele, é assegurar recursos disponíveis em diversos ministérios, mas que exigem projetos bem elaborados para liberação. "Os recursos existem. Falta apenas saber o endereço certo", pontuou. O petista fez uma peregrinação em Brasília após as eleições de outubro. E vê na proposta do consórcio um dos meios para auxiliar as prefeituras.
Prefeito eleito de Araçoiaba, Hildemar Guimarães (PSB), conhecido popularmente por Cuscuz, sabe bem as deficiências profissionais na área de planejamento. "Ou partimos para agir de mãos dadas ou os pequenos tendem a perder mais", analisou. Como o consórcio deve demorar meses para sair do papel, Hildemar, assim como o prefeito de Itamaracá, já se movimenta para obter recursos extras para Araçoiaba, o menor município da Região Metropolitana do Recife. A estruturação do consórcio começou a ser discutida na última sexta-feira.
A proposta de agir em consórcio já foi testada em Abreu e Lima nos anos 90. Vice-prefeito eleito da cidade, Marcos Siqueira esteve à frente da experiência registrada na área de saúde. Ele era secretário de saúde, quando a prefeitura comandou o projeto para capacitar auxiliares de gabinetes dentário de nove municípios do estado. "Se anos atrás as coisas funcionaram quando as condições eram mais difíceis, agora tende a ser melhor para todos", argumentou.
A articulação política na área norte não é nova. Em 1983, os prefeitos começaram um movimento que resultou, anos depois, numa emenda do Orçamento Geral da União (OGU) para atender os morros dos municípios. Nunca, porém, houve uma entidade legal que congregasse as prefeituras. Integrante dos primeiros passos, ainda nos anos 80, o prefeito de Paulista, Yves Ribeiro (PSB), acredita que o consórcio cumprirá tal papel. Na época, o socialista administrava Itapissuma. Depois, ele geriu Igarassu e deve, em 2009, iniciar o segundo mandato em Paulista.