Para pular a cerca
Só mesmo a certeza de que todos terão condição de mudar de partido sem qualquer risco, pode dar tanta segurança aos peemedebistas governistas a ponto de abrir a temporada de caça e, praticamente, formalizar convite para Aécio Neves (PSDB) se filiar ao partido, como aconteceu em Brasília na semana passada. O governador mineiro se esquivou do convite, e até elevou o tom nas críticas ao presidente Lula, mas essa é uma das razões pelas quais o Palácio do Planalto quer priorizar a questão da fidelidade partidária, dentro das discussões do projeto da reforma política, no Congresso Nacional. Bem, para que não se tenha qualquer tipo de ilusão, é preciso deixar claro que nenhum congressista quer aprimorar a questão da fidelidade partidária e muito menos torná-la mais rigorosa. O que se persegue é não ficar sob o jugo da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que pune com a perda de mandato (proporcional ou majoritário) o político que depois de eleito por uma legenda troque de partido. E uma das coisas mais fáceis éaprovar em plenário qualquer proposta que atenue a determinação do TSE, porque isso beneficia todo mundo no Congresso, embora haja resistências isoladas, como é o caso de Jarbas Vasconcelos (PMDB). O senador pretende ir à tribuna, nesta semana, para tratar da proposta de fidelidade partidária que abre a já famosa janela temporária para a traição correr solta. O senador insiste que medidas desse tipo só atrapalham o andamento de uma reforma política séria e profunda. A preocupação do senador é procedente porque, ao se admitir um instrumento jurídico temporário para permitir a troca de partido, tornando a fidelidade flexível, o Congresso apenas oficializa mais uma hipocrisia. Além disso, ao priorizar a aprovação da fidelidade partidária, o Palácio do Planalto mostra que o seu interesse maior é atender a necessidade da troca de partido de sua base aliada, deixando em segundo plano questões de igual importância como a cláusula de barreira, lista fechada, inelegibilidade e até financiamento público de campanha.Todas esses pontos são ardorosamente defendidos, quando a credibilidade do Congresso Nacional é colocada em xeque com denúncias de corrupção. Porém passados esses momentos, começa-se a buscar o famoso jetinho brasileiro, como é o caso da janela para dribrar a fidelidade partidária.
Montagens // Nem bem baixou a poeira das eleições municipais, começou a montagem das chapas proporcionais para 2010. Este é hoje o principal assunto nos partidos governistas e oposicionistas. O jogo tem de começar cedo, pois depende também do prazo de um ano antes da eleição para definir a filiação partidária. Outro fator importante é que, dependendo de quem vai para a chapa majoritária, se abrem novos espaços.
DEM // Mendonça Filho já tem uma lista de sete pré-candidatos a deputado federal do DEM: Roberto Magalhães e André de Paula que concorrem à reeleição, e Guilherme Coelho, Tony Gel, Augusto Coutinho, e Joaquim Francisco, além dele mesmo. Para Assembléia Legislativa, o Democratas vai eleger dez deputados, garante Mendonça.
Joaquim // Embora esteja incluído na lista de pré-candidatos do DEM a deputado federal, o que se ouve por aí é que o caminho do ex-governador Joaquim Francisco está longe da legenda de Mendonça Filho. As opções de Joaquim hoje são o PSB do governador Eduardo Campos ou o PSDB do senador Sérgio Guerra.
Reserva de mercado // Todos os cargos da Secretaria de Planejamento Participativo devem ser ocupados por petistas. Este é um entedimento tácito entre os partidos que apoiaram a candidatura do João da Costa, ex-titular da pasta. Se for assim mesmo, vai ser difícil algum outro partido governista emplacar um candidato a prefeito. Quem passa pelo Orçamento Participativo já sai da secretaria pronto para ser candidato a prefeito.
Fogo muy amigo // Detectado sinal de alerta, operadores políticos do Palácio das Princesas poderão ser acionados para neutralizar fogos "muy amigos" disparados contra liderados do deputado Inocêncio Oliveira dentro da Secretaria dos Transportes.
Ouvindo // O prefeito João Paulo tem conversado bastante com o ex-deputado Luiz Phiauylino (PDT). Na semana passada, teve um demorado almoço com o ex-deputado pernambucano, em Brasília.
Recibo // A briga do PSB em Petrolina com o deputado Gonzaga Patriota querendo expulsar do partido o prefeito Odacy Amorim, acirrando ainda mais os ânimos com o secretário Fernando Bezerra Coelho, é uma prova de que os petrolinenses ficaram em melhores mãos ao eleger Júlio Lóssio (PMDB) para comandar a cidade.
Alerta // O projeto de Reforma Tributária que está em discussão no Congresso possibilita, caso o governo queira, a recriação de uma contribuição sobre movimentação financeira como a extinta CPMF, que deixou de ser cobrada em janeiro deste ano, ou a CSS (Contribuição Social da Saúde), que ainda tramita no Congresso.