Pernambuco.com
Politica
Diario de Pernambuco
 


  Enviar por e-mail Comentar Imprimir  
Contra anistia para os torturadores
Parecer da Advocacia Geral da União provoca reações contrárias a tratamento ameno destinado a responsáveis por crimes
Paulo Rebêlo // Diario
paulo.rebelo@diariodepernambuco.com.br


Em Pernambuco, a polêmica reaberta sobre a aplicação da Lei de Anistia também repercute. Fontes ouvidas pelo Diario, não concordam com o parecer da Advocacia Geral da União (AGU), pelo qual agentes do governo, responsáveis por crimes de tortura e perseguição, não devem responder pelos crimes na Justiça de hoje.

O argumento de que a anistia se aplica a todos os envolvidos na ditadura militar é defendido por setores do governo federal e da magistratura, como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes; o ministro da Defesa, Nelson Jobim; e mais abertamente pelo ex-ministro e coronel da reserva, Jarbas Passarinho, entre outras autoridades que querem irrestrição da lei.

O parecer da AGU é baseado no próprio texto da Lei de Anistia, onde se lê que a aplicação é "ampla, geral e irrestrita". De acordo com esta argumentação - por onde a polêmica ganhou maiores proporções - a amplitude da anistia inclui não apenas os perseguidos pelo regime, mas também os perseguidores.

O Ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, discordam da interpretação do advogado-geral da União, José Antônio Toffoli. Na Associação Pernambucana de Anistiados Políticos (Apap) o clima é de ceticismo. Para o presidente Antônio Campos, trata-se de um debate falso. "Há 23 anos se discute a abertura dos arquivos, os restos mortais até hoje não encontrados. É uma discussão atrasada e que não caminha porque a maior parte do governo é de direita".

Mais sucinto sobre o assunto, o atual presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Fernando Lyra, diz não questionar o julgamento sobre a Lei da Anistia por considerar um próprio resquício da ditadura. "Há resistências muito fortes na área militar que impedem qualquer tomada de atitude. A discussão já é um avanço em si, mas é preciso nominar quem são as pessoas contra. A AGU não entrou de graça nesta polêmica de agora, foi incentivada ou provocada por alguém. É preciso saber", defende.

Oadvogado Egídio Ferreira Lima vai mais além. Para ele, o fato é que o governo brasileiro continua sem querer incomodar alguns setores da repressão, sobretudo a Polícia e o Exército. Ex-deputado federal, Ferreira Lima é mais otimista sobre a retomada dos debates. "Hoje as instituições públicas estão mais sólidas, mais transparentes. Acredito que desta vez pode haver uma definição maior do governo", acredita.

Antônio Campos garante não se tratar de quem tem ou não razão sobre a amplitude da Lei de Anistia. "As violações não são crimes políticos, são crimes comuns, atentam contra a dignidade humana", explica.


    COMPARTILHE A NOTÍCIA Adicione ao Uêba Adicione ao Digg Adicione ao Google Bookmarks Adicione ao Technorati Adicione ao Windows Live Adicione ao Reddit Adicione ao Del.icio.us Adicione ao Facebook Adicione ao Yahoo! My Web Adicione ao StumbleUpon


Carregando Aguarde: carregando capa...
Edição de domingo, 9 de novembro de 2008 
Selecione a data do
Diario que você
deseja visualizar



Procurar


Conheça o Diario de Pernambuco
Expediente | Índice geral | Versão Flip | Ed. anteriores | Acervo
Assinaturas | Clube Diario | Leitor do futuro | Signos | História
Cedoc | Informações comerciais | Admite-se | Vrum | Lugar certo

Copyright - DiariodePernambuco.com.br | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização. Fale conosco.