Pernambuco.com
Diario de Pernambuco
DIÁRIOS ASSOCIADOS
 


  Enviar por e-mail Comentar Imprimir  
Entrevista // Elizabeth Gilbert



Um ano em busca do equilíbrio. Essa "licença" funcionou como uma espécie de "reset"?


Foto: Editora Objetiva/Divulgação
Acredito que, às vezes, para mudar uma mentalidade é preciso mudar o ambiente ao seu redor. É fácil concentrar o pensamento em uma única coisa quando você vive em uma rotina muito restrita, falando com as mesmas pessoas ou comendo as mesmas coisas. A vida assim é um círculo, uma armadilha repetitiva que nos deixa a sensação de que somos pequenos e limitados. Mas quando a gente muda tudo por meio de uma viagem, é como se nós fôssemos forçados a dar esse "reset" na mente, um recomeço mesmo. Você tem que acordar para o novo e isso pode te ajudar a transformar hábitos autodestrutivos.

No início do livro você elege uma palavra em italiano da qual mais gosta: Attraversiamo (vamos atravessar). Que palavras escolheria para cada etapa da viagem?

Eu levaria toda uma eternidade para fazer isso! Mas diria que a palavra "sim" me motivou durante todo o percurso. Eu estava gritando "sim" para o mundo, aceitando tudo o que vinha na minha direção. É uma coisa maravilhosa viajar um ano pela vida carregando um grande "sim". Isso muda todas as suas perspectivas de maneira radical.

Seu livro mostra que esse caminho não precisa ser de renúncia e sacrifício. Dá para sentir prazer sem culpa?

Eu espero que sim! No Ocidente - educado com a velha cultura da culpa católico-judaica -, somos, muitas vezes, ensinados, mesmo que inconscientemente, que todos os prazeres são motivo de vergonha. No entanto, não tenho muita certeza de que esse ensinamento seja universal. Em Bali, por exemplo, encontrei muita alegria durante cultos que tratavam de assuntos seriíssimos. Mas, de certa forma, ainda absorvemos a idéia de que aquilo que nos satisfaz está ligado a coisas do mal, ou do diabo, e que estamos caminhando para o egoísmo. Aprendi que temos que tomar conta de nós mesmos, incluindo nossos próprios prazeres, a fim de nos tornarmos mais saudáveis e amorosos.

Alguns capítulos descrevem experiências transcendentais. Como foi escrever sobre isso?

Forammomentos muito particulares e que tentei descrever com a maior honestidade. Não queria sentir que eu estava pregando alguma coisa ou que era uma espécie de profeta. Também tentei me manter calma enquanto escrevia, até para conservar um senso de humor e não me levar tão a sério. Por alguma razão, as pessoas acreditam que, para falar em Deus de maneira profunda, é preciso ser sério ou rebuscado. Só que essa procura e todo o questionamento partiram de mim e eu quis manter minha personalidade na história. Aqui nos Estados Unidos há muito conservadorismo religioso e tive medo de ofender gravemente alguns cristãos. Em vez disso, fiquei impressionada ao ver essas pessoas me escrevendo e contando o quanto gostaram da história.

Você diz que os rituais são lugares seguros para os sentimentos. Indicaria algum?

Um ritual que faço todos os dias antes de dormir é escrever em um pedaço de papel o momento mais feliz daquele dia que vivi. Então eu dobro o papel e coloco dentro de uma jarra de vidro enorme. Assim, estou homenageando e me lembrando do milagre de minha própria vida.

Trechos do livro

O COMEÇO

"Pedi demissão do meu emprego, paguei o acordo do meu divórcio e os honorários dos meus advogados, abri mão da minha casa, abri mão do meu apartamento, guardei todos os pertences que me restavam na casa da minha irmã e arrumei duas malas. Meu ano de viagem havia começado. Eu, de fato, posso fazer isso devido a um milagre pessoal atordoante: minha editora comprou, adiantado, o livro que vou escrever sobre as minhas viagens."

ITÁLIA

"Cheguei à Itália abatida e magra. Ainda não sabia o que eu merecia. Talvez eu ainda não soubesse totalmente o que mereço. Porém, o que sei é que, ultimamente, eu me recuperei - graças à alegria de prazeres inofensivos - e tornei-me alguém muito mais intacto. A maneira mais fácil, mais fundamentalmente humana de dizer isso é que eu engordei. "

ÍNDIA

"...Comecei a meditar e esperei que me dissessem o que fazer. Não sei quantos minutos ou quantas horas passaram antes de eu saber o que fazer. Percebi que vinha pensando naquilo tudo de forma demasiadoliteral. Eu estava querendo falar com meu ex-marido? Então fale com ele. Eu vinha esperando que ele me oferecesse o perdão? Ofereça-o pessoalmente, então. Ali, naquele lugar de meditação, encontrei a resposta - você pode terminar o assunto você mesmo, de dentro de você mesmo. Isso não é apenas possível, é essencial."


    COMPARTILHE A NOTÍCIA Adicione ao Uêba Adicione ao Digg Adicione ao Google Bookmarks Adicione ao Technorati Adicione ao Windows Live Adicione ao Reddit Adicione ao Del.icio.us Adicione ao Facebook Adicione ao Yahoo! My Web Adicione ao StumbleUpon


Carregando Aguarde: carregando capa...
Edição de domingo, 9 de novembro de 2008 
Selecione a data do
Diario que você
deseja visualizar



Procurar


Conheça o Diario de Pernambuco
Expediente | Índice geral | Versão Flip | Ed. anteriores | Acervo
Assinaturas | Clube Diario | Leitor do futuro | Signos | História
Cedoc | Informações comerciais | Admite-se | Vrum | Lugar certo

Copyright - DiariodePernambuco.com.br | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização. Fale conosco.