Um padre, uma cidade, um acontecimento
Imagine-se uma igreja cheia, carruagens, liteiras, escravos aguardam o fim da missa. Lá embaixo, o mar. Homens e mulheres, vestes de seda e veludo, cada domingo ali vêm, mais para ver e serem vistos que para escutar o sermão, uma sociedade leviana e de aparências. O padre avisa: já que estava ante ouvidos desatentos, sua fala daquele dia se dirigiria a outro tipo de auditório. E, na Sé de São Luis do Maranhão, Padre Antonio Vieira pregou seu genial Sermão de Santo Antônio aos peixes, viventes que têm duas boas qualidades: ouvem e não falam, não ofendem portanto a Deus com palavras. Entre os primeiros seres criados, evitam os homens, não se deixam domar nem domesticar como acontece aos cavalos, bois, cães, cuja liberdade é trocada por comida. Vieira lembra Santo Antônio: "quanto mais buscava a Deus, tanto mais fugia dos homens." Vieira cita ocasiões em que peixes salvaram vidas. E como servem de alimento aos pobres, por isso tanto se multiplicam. É bem verdade que comem uns aos outros, mas pela sobrevivência enão por vaidade, ganância, como fazem os homens.
O Sermão de Vieira foi declamado à luz do luar por um grupo de atores de São Luis, na 2ª Feira do Livro, semana passada, reproduzido por alto-falantes em toda a Feira. Que em 6 mil metros quadrados, teve 3 mil metros em estandes de livros em promoção, sendo 10 de editoras universitárias nacionais, 70 mil títulos, mais de 500 editoras representadas. Teatro ao ar livre, palestras por importantes figuras da cultura nacional, da área de preservação ambiental, educação, música, cinema, programas de leitura, salão para jovens, auditórios sempre repletos de público participante, perfeita organização. De fato, um grande acontecimento nacional. De parabéns a Prefeitura de São Luis.
EscrínioOs canhões do silêncio ( trecho, de José Chagas, nascido em 1924)
São Luis sabe da manhã
antes de qualquer outro lugar do mundo
porque há um galo no quintal do tempo
ferindo sua crista no sonho
e seu canto chega em pedra ao mirante
que sabe adivinhar o dia por trás dos muros
Aqui o tempo não dura em passar
mas em ficar à espera de quem o descubra
como curtida matéria de vida
pronta à ressurreição das coisas
São Luis é toda de manhã
como o aviso claro de um dia
São Luis requer a alegria
do olho mas também o salto
da alma e até o labor interno
do sonho com sua fúria mansa
sobre o real
In Os canhões do silêncio, São Luis, 1979.Vozes Femininas // É o nome do grupo que Cida Pedrosa, Maria Bigio, Silvana Menezes e Susana Moraes criaram, e que vem se apresentando no estado, com poemas autorais ou de outros poetas. Fala de mulheres, mas, como dizem," nada de feminino nem de feminilidade". Dia 25 comemoraram, na Livraria Cultura, aniversário do Grupo Nós Pós.
Cícero Dias // Hoje à noite, na Saraiva do Shopping, lançamento de Quatro faces de um encontro - homenagem a Cícero Dias, por José Cláudio, Patrícia Tenório, Nelson da Silva Junior e Ricardo Fabrini.
Muito além do Corpo // Durante anos, este nosso romance que obteve o Prêmio Nestlé, permaneceu esgotado. Agora a Editora Néctar preparou reedição, a ser lançada na Festa Literária de Porto de Galinhas, na manhã do domingo, 9 de novembro, após mesa redonda sobre Literatura de mulheres pernambucanas. Esta 5ª edição do romance será igualmente lançada na Feira do Livro em Porto Alegre, no dia 15. Uma alegria para a autora, evidentemente.
Damas do piano em Pernambuco // O último númeroda Revista continente, traz matéria sobre pernambucanas que investiram suas vidas na divulgação da boa música em nosso estado e fora dele. Com o feliz título de Ciclo da delicadeza, o musicólogo Carlos Eduardo Amaral nos fala da atuação de Ana Lúcia Altino, Elyanna Caldas, Maria Clara Fernandes, Jussiara Albuquerque, Josefina Aguiar, alunas das irmãs Nisia e Hilda Nobre ou com brilhante passagem por nosso Conservatório de Música. E nos apresenta Priscila Almeida Dantas, que, aos 15 anos de idade, já mostrou seu talento aqui e no exterior.
Para novos e antigos autores // também no número de outubro de Continente, publicação dos Critérios para recebimento e apreciação de originais pelo Conselho Editorial da Companhia Editora de Pernambuco. Um importante documento.
Pernambuco e Rio Grande do Sul: um "fraterno abraço literário" // Quais os pontos de contato, divergências e semelhanças entre nossos dois estados? É o que se discutirá na 54ª Feira do Livro em Porto Alegre, que este ano homenageia Pernambuco. 22 pernambucanos divulgarão nossas produções, com noites de autógrafos, leituras de textos, entre 31 de outubro e 16 de novembro. A Companhia Editora de Pernambuco, em estande especial, exporá e colocará à venda mais de 300 títulos de autores nossos, publicados pela própria CEPE ou por 13 editoras locais. Uma grande festa.