As câmeras de segurança instaladas na área central do Recife desde fevereiro pela Secretaria de Defesa Social
 Equipamento instalado na Ponte Duarte Coelho com a Rua do Sol colhe imagens que são vistas na central do Ciods 24 horas por dia. Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press |
(SDS) flagram uma média de 35 ocorrências por mês. A maioria delas envolvendo tráfico de drogas e furtos, mas apesar da atuação da polícia essa média vem se mantendo ao longo desses oito meses de uso. Uma das principais razões para a estagnação do índice, segundo a própria SDS, é a reincidência dos casos praticados, em geral, por menores. No momento, o questionamento da população é sobre a finalidade do big brother. Ao todo, funcionam 30 câmeras.
De acordo com o gerente geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), coronel Sérgio Viana, os menores apreendidos após a filmagem dos furtos em pouco tempo estão de volta às ruas. "A gente faz a apreensão do menor, mas eles sempre voltam",admitiu Viana. Cada câmera consegue cobrir duas ruas. As imagens captadas nas 60 ruas dos bairros de Santo Antônio, São José e Bairro do Recife são monitoradas 24 horas por uma equipe de seis policiais do Núcleo Integrado de Imagens do Ciods. Em turnos de seis horas.
Uma das câmeras está instalada na Ponte Duarte Coelho no cruzamento com a Rua do Sol, uma área de intenso movimento. "Acho que dá mais segurança saber que a polícia está monitorando as ruas. Mas é preciso ações rápidas para combater esses crimes ", afirmou o professor Ricardo Souto, 34 anos. Os flagrantes do big brother urbano são repassados por rádio ou celular para viaturas da polícia localizadas no centro. "Nós temos cinco viaturas em pontos estratégicos e em cinco minutos elas conseguem chegar ao local da ocorrência", explicou o coronel.
O tempo de atuação da polícia é outro agravante. Em cinco minutos a polícia não consegue evitar que o crime ocorra. Esse tempo também é mais do que suficiente para que o criminoso desapareça. "Mesmo que a polícia não chegue a tempo de evitar o crime, sabemos que os criminosos retornam ao local e é possível identificá-los", afirmou o coronel.
Oraciocínio é lógico, mas depende também da memória dos operadores do núcleo de imagem, uma vez que a SDS, nestes oito meses, não dispõe ainda de um banco de imagens dos infratores. Segundo o gerente geral do Ciods, isso só será possível com a aquisição de um software que está incluído no pacote de mais 150 câmeras que deverão ser instaladas até o final do ano em uma área compreendida entre o Shopping Tacaruna ao Cabanga e confluindo até o Marco Zero. "Nós vamos cobrir toda a Avenida Agamenon Magalhães e as áreas onde há uma concentração de transeuntes. Os casos de flagrante vão integrar o banco de imagens para ajudar nas investigações", revelou Viana.
Prisões - Atualmente as imagens captadas chegam a passar dez dias arquivadas. Depois disso, elas são apagadas. Mesmo com as dificuldades a SDS tem feito prisões. Embora não existam estatísticas, segundo o gerente geral do Ciods, na primeira quinzena deste mês foram efetuadas duas prisões em flagrante, de uma média de 35 ocorrências mensais. Em uma das abordagens seis pessoas que estavam traficando drogas na Rua da Moeda foram detidas.
"Diariamente tem gente comercializando drogas no local. A polícia sabe, mas ainda não conseguiu acabar com o problema", revelou um comerciante que preferiu não se identificar. Segundo o coronel Viana os traficantes fazem a abordagem de mãos vazias. "Eles escondem as drogas em buracos e só quando confirmam a venda é que vão buscá-las", contou.