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Coluna do Tostão



Medo da Venezuela

Diferentemente do que dizem, a Seleção tem sido regular. Joga mal quase todas as partidas. Dos oito jogos pelas Eliminatórias, só atuou bem contra o Chile. Coletivamente, a equipe foi também mal na goleada sobre o Equador, no Maracanã. Os três últimos gols saíram no final e em jogadas individuais e isoladas.

Estou com medo da Venezuela. Não é ironia. O mais provável é o Brasil ter hoje uma atuação ruim ou razoável e vencer com dificuldades. Perdi a ilusão. Vou seguir o conselho de um desses treinadores medíocres que estão por aí: "Quem quiser espetáculo, que vá ao teatro".

A Venezuela não é também tão boba como era em 1969, quando aproveitei e fiz cinco gols nas duas partidas pelas Eliminatórias para a Copa de 1970.

O esquema tático do Brasil será diferente dos dois jogos anteriores. Não sei qual é a melhor opção. Porém, enquanto não houver uma definição da maneira de jogar e da filosofia, o time não será forte no conjunto.

Como Kaká é mais atacante que armador, Dunga preferiu Elano a Mancini, para não deixarapenas dois jogadores no meio-campo. Para Mancini e Robinho atuarem pelos lados, teriam também de marcar. Os dois sabem fazer isso bem. Jogaram assim muitas vezes na Europa. Dunga é que não sabe. É mais fácil continuar na mesmice e escalar três no meio-campo, com Elano um pouco mais adiantado e pela direita.

Outra razão da não escalação de Mancini é o fato de ele ter sido convocado pela primeira vez. Precisa entrar na fila. Já com Adriano não houve essa coerência. Ele só foi chamado após a contusão de Luís Fabiano. Pela fila, Jô ou Pato seria titular. Prefiro Adriano.

Não há nada de errado em Dunga mudar de opinião. Treinadores, comentaristas e qualquer profissional podem e devem mudar suas preferências, quando for necessário. A coerência é muitas vezes burra. A coerência tem que ser ética e de princípios. Isso também não é fácil. Somos humanos, pecadores.

Desde as categorias de base, não entendo o que Anderson fala nas entrevistas. Depois que jogou em Portugal, e agora na Inglaterra, entendo menos ainda. Além disso, Anderson não olha para o repórter nem faz o mínimo esforço para ser gentil. Não sei se ele tem um Deus na barriga, se é tímido ou se é apenas esquisito.

Tempos românticos

Nesta semana, três atletas do Atlético-MG foram dispensados, corretamente, porque trocaram a concentração pela noitada. Isso era comum no passado. Havia muitos jogadores boêmios.

No início dos anos 60, antes do Mineirão, o Cruzeiro se concentrava em um pequeno hotel, há poucos quarteirões da área boêmia. Na véspera dos jogos, o artilheiro, que fazia gols em quase todas as partidas, colocava vários travesseiros na cama, cobria com um lençol e ia encontrar com a sua paixão na casa de prostituição. O técnico passava pelo quarto e não percebia.

Como tudo que é bom dura pouco, o técnico descobriu e acabou com a farra. Sumiram os gols. Aí, tivemos que fazer um acordo com o técnico. O artilheiro saia mais cedo, tomava apenas uma dose de cuba-libre ou de hi-fi, namorava sem grandes excessos e retornava antes das 11h, mais leve e mais feliz. Acordo feito e cumprido. Para alegria de todos, os gols voltaram.


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Edição de domingo, 12 de outubro de 2008 
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