Se nas primeiras décadas de sua fundação, o Clube Náutico Capibaribe ganhou "notoriedade" por não permitir a entrada de negros em sua dependência, nos tempos atuais os valores em Rosa e Silva são outros. A movimentação na imponente estrutura não está mais restrita aos sócios-contribuintes. Os portões se abriram para as causas sociais, onde todos são bem-vindos, independente de cor, credo, raça. Crianças e adolescentes são alvos de projetos sócio-educativos, que encontraram nos "clubes de camisa" parceiros ideais. Um exemplo que se difunde e que se torna uma boa opção de presente, neste dia 12 de outubro, para as crianças deste imenso Brasil.
O compromisso de colocar meninos e meninas, de classes menos favorecidas, em contato com modalidades esportivas, também existe no Sport Club do Recife. Há três anos, o técnico de hóquei sobre patins Beto Gesteira, 40 anos, arrumou um tempo para ensinar crianças e adolescentes da comunidade do Caranguejo Tabaiares, situada nas proximidades da Ilha do Retiro.
A iniciativa melhorou a auto-estima da garotada e encheu de esperança seus familiares. Para mãe e pais, seria bem mais fácil imaginar os rebentos em pista de atletismo, já que os primeiros passos, sobretudo em países sub-desenvolvidos, são dados de pés descalços. Já no hóquei é necessário um arsenal de material para poder entrar na quadra. É obrigatório o uso de patins, luva, joelheira, stick, caneleira, além do uniforme.
Para aparelhar os mais de 30 atletas que participam do projeto no Sport, que disponibiliza o espaço, funcionários e padrão (camisa, calção e meiões), Beto conta com a ajuda de jogadores que iniciaram a carreira com ele. Cacau - que atua no hóquei italiano -, Bruno Matos e Mariana Cabral, que jogam em Portugal, sempre trazem doações. "Recentemente, Cacau trouxe rodas, luvas e sticks. Apesar de todo o tempo de atividade aqui na Ilha, só conseguimos a colaboração dos Biscoitos Confiança. Toda semana, chegam meninos querendo treinar, mas infelizmente não há como atendê-los porque não há material suficiente e verba para lanches", lamentou Gesteira, que, muitas vezes, tira dinheiro do bolso para custear a alimentação da meninada.
No Náutico, as dificuldades em relação à alimentação e material não são sentidas graças ao convênio que o clube fez com o Instituto de Assistência Social e Cidadania (IASC). Crianças que viviam em situação de risco nas ruas e entregues à exploração do trabalho infantil, hoje participam de aulas de hóquei (meninos de comunidades próximas ao clube e de escolas municipais, através do Geraldão, também fazem aula de hóquei, sob a orientação de Leônidas Agra) e futsal.
A interação entre estes meninos e os alunos, que são sócios do clube, aconteceu naturalmente. "Fizemos um torneio para celebrar o Dia das Crianças, onde os meninos do Projeto Bola Pra Frente também participaram", explicou Ivson, ou simplesmente Baixinho, técnico da modalidade.
O sócio-educador Gustavo Gadelha, que pertence a equipe do SESR - Serviço de EducaçãoSocial de Rua do IASC, idealizou o Bola Pra Frente levando em consideração os sonhos do garotos. "Nos atendimentos realizados às crianças e aos adolescentes em situação de rua, percebemos que a maioria tinha o desejo de ser jogador de futebol".
Bem, no gramado mesmo eles ainda não estouraram, mas já encontraram uma condição digna para iniciar uma carreira no esporte.