Apesar de ter o seu trabalho cada vez mais contestado, Dunga ainda conta com o apoio dos boleiros para seguir no comando da Seleção Brasileira. Pelo menos o apoio dos jogadores que atuam em Pernambuco. "É uma covardia o que estão fazendo com Dunga. Essa pressão toda só está atrapalhando a Seleção. Toda vez que o Brasil perde é a mesma coisa. Mas o time só tem dois, três dias para treinar, e assim, o time fica dependendo sempre das individualidades", disse o lateral-direito Ruy. A queixa é compartilhada pelo também alvirrubro Geraldo. Para os dois, o ponto a favor do atual treinador da Seleção é justamente o que joga contra Dunga para o restante do país: "insistir" no grupo, em detrimento de jogadores em grande fase, tanto no país quanto no exterior.
Se para muitos, a convocação do lateral-esquerdo Kléber não foi justa, por causa da má fase do ala do Santos, para os jogadores isso mostrou que o técnico prioriza mesmo o elenco com quem vem trablhando desde agosto de 2006. "Se 10 jornalistas montarem uma seleção, pelo menos oito serão bem diferentes. Aqui no Brasil existem quatro bons jogadores em cada posição. Eu mesmo chamaria o Kleber Pereira, que mesmo com o time mal, vem sendo o artilheiro do Brasileiro", afirmou Geraldo.
"Os críticos também precisam ser coerentes. Dunga não pode 'abrir' para o grupo dele. E na época de jogador ele mostrou que não é fraco", completou Ruy. Já em relação ao padrão tático do time, os atletas locais reconhecem que a Canarinha está perdendo bastante a sua identidade, e ganhando uma cara "européia". Uma mudança que já vem sendo desenhado há um bom tempo, como lembrou o volante rubro-negro Andrade. Dos 22 convocados, apenas quatro jogam no país. "Na Europa, eles atuam lá com dois pontas abertos e um centroavante, no 4-3-3. Acho que a seleção irá melhorar com mais conjunto", afirmou Andrade.
"Pato morto" - O dia 6 de junho deste ano entrou para a história do futebol brasileiro. Da pior forma possível. Sob o comando deDunga, a Seleção Brasileira perdeu pela primeira vez da Venezuela (0 x 2). Não foi uma derrota qualquer, mas sim um resultado que mostrou que a superioridade brasileira até existe ainda, mas que, definitivamente, não existe "pato morto" no futebol. Até aquela noite na cidade norte-americana de Boston (onde foi realizado o amistoso), a Venezuela era sinônimo de vitória para o Brasil. Não vitórias, mas goleadas, por 5 x0, 6 x 0, 7 x 0#