Mais uma vez a abordagem realizada pela Polícia Militar é alvo de denúncia e questionamentos. Agora, no entanto, quem formalizou a queixa foi um promotor de Justiça. Ele, assim como outros cidadãos, também acabou tendo parentes que sentiram-se intimidados por uma ação considerada truculenta, promovida por aqueles que são responsáveis por garantir a segurança, e não por levar medo à população. As vítimas foram quatro jovens, dois deles filhos do promotor da Vara de Execução Penais, Marcellus Ugiette.
O caso aconteceu na última quinta-feira à noite, quando os quatro universitários tinham acabado de sair da faculdade, já nas imediações da Avenida Mascarenhas de Moraes, no Bairro da Imbiribeira. A denúncia foi levada ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Lopes, pelo próprio Ugiette, na manhã de ontem. O comandante informou que já foi aberta uma sindicância para apurar o caso. Na próxima segunda-feira, o promotor irá formalizar a denúncia junto ao procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão.
Ugiette contou que os filhos Marcellus e Marcela, e os dois amigos Rafael e Renato, tiveram o automóvel em que eles estavam trancado por uma viatura com policiais do Batalhão de Radiopatrulha. Ao interceptar o carro em que estavam, os policiais teriam ordenado que eles descessem do veículo sob a mira de revólveres. "Em nenhum momento eles justificaram o motivo daquela abordagem. Minha filha teve a arma apontada para a cabeça dela durante todo o tempo, e meu filho também ficou com um revólver nas suas costas", relatou o Marcellus Ugiette.
Ainda de acordo com ele, houve um momento em que Marcela tentou argumentar que aquela não seria a forma adequada dos policiais agirem. "Quando ela disse isso, um policial falou que ela não estava ali para ensiná-los a trabalhar. E quando eles disseram que eram pessoas de bem, os PMs rebateram afirmando que todo bandido costuma dizer a mesma coisa", ressaltou o promotor. Depois da abordagem, os policiais foram embora e, novamente, não disseram o que estavam procurando. Ugiette informou ainda que os filhos dele precisaram ser atendidos por médicos, pois ficaram bastante assustados.
Diferente do que se podia imaginar, o promotor afirmou que não pediu ao coronel José Lopes a punição dos policiais. Ele, na verdade, sugeriu que os PMs envolvidos na ação recebessem tratamento psicológico e passassem por uma reciclagem. "Eu não acredito, de repente, que a punição funcione. Acho que esses profissionais precisam se tratar. Ainda bem que o coronel sinalizou de forma positiva quanto a isso", destacou.
A assessoria de imprensa da PM informou que a sindicância será presidida por um oficial do batalhão, ao qual os policiais pertencem. A previsão é que a investigação dure 30 dias.