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Uma blogagem coletiva contra o câncer de mama
Hoje e amanhã, internautas de todo o país podem aprender sobre a doença ou relatar experiências
Aline Moura // Diario
alinemoura.pe@diariosassociados.com.br


Você tem um blog? Se a resposta for sim, então, prepare os dedinhos. É hora de dar um toque que pode salvar vidas. Não importa se a página na internet trata de economia, política ou futebol. Hoje e amanhã, é o dia da "blogagem coletiva" em todo o país contra o câncer de mama. Uma homenagem ao lançamento da campanha Outubro Rosa, que prega a importância do diagnóstico precoce da doença no mundo inteiro. Esse é o momento de participar. De lembrar às mulheres que precisam ter uma atenção especial a essa parte do corpo. Mas qualquer um pode acessar um dos endereços e aprender mais sobre o assunto ou relatar sua experiência.

A idéia está sendo defendida no estado por Maristela Simonin, 59 anos, autora do blog http://procurar.wordpress.com/. Procuradora aposentada, Maristela defende a corrente de solidariedade em nome de todas as mulheres que tiveram ou podem ter câncer de mama, a doença que mais mata o sexo feminino no Brasil. Só neste ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 50 mil delas podem ser afetadas pela doença, sendo mais de duas mil em Pernambuco. Um mal que, se diagnosticado no início, pode ter cura.

O diagnóstico precoce é o maior aliado das mulheres

Maristela sugere aos blogueiros que postem notícias atualizadas sobre o câncer ou em defesa da saúde da mama. Ou seja, se há momento para tudo nessa vida, também há momentos para mostrar os seios (de todas). Expor ao mundo. Não ter vergonha, como ainda acontece com as mulheres de Camarões, na África, onde cerca de 10% delas têm câncer de mama depois de terem os seios "passados a ferro", ou melhor, queimados para não chamar a atenção dos homens.

Segundo Maristela, a proposta surgiu depois que alguns blogs trataram do assunto em virtude da campanha Outubro Rosa, na última quinta-feira. Houve pouca adesão em Pernambuco até então. Mas ainda dá tempo de participar. A procuradora aposentada não quer que nenhuma mulher viva sua experiência. Ela conta que hoje está bem, com a auto-estima recuperada. No entanto, a luta para superar a perda de uma mama não foi fácil. Maristela descobriu que tinha um nódulo no seio em 1998, tomando banho. Por descuido, só procurou tratamento um ano depois.

"Ele era duro e não doía. A sensação era a de ter topado na ponta de uma caneta 'bic' sob a pele. Fui ao mastologista, que também achou que fosse só um defeitozinho congênito na costela. Ele me recomendou fazer mamografias preventivas uma vez por ano, mas não por causa daquilo. Descuidei-me e, um ano depois, durante um check-up de saúde, descobri que a 'pontinha de osso' era uma um câncer", recorda.

Casada há quatro anos, Maristela pede as mulheres que não se descuidem. Principalmente depois dos 35 anos. "A feminilidade vai além dos nossos seios. Mas até a gente descobrir, passa por muito sofrimento. Estou muito bem. No entanto, não quero que ninguém passe por isso. Para as mulheres que já tiveram o diagnóstico, digo: não se sente no "banco dos réus" pois você não tem culpa de estar doente. Se precisar de ajuda, peça. O segredo é escalar umamontanha de cada vez", ensina.


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Edição de sábado, 11 de outubro de 2008 
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