Caso consiga o dinheiro necessário para a viagem e o tratamento, Clara será levada a uma das clínicas da rede Beike Biotech, onde será submetida a um tratamento - desenvolvido pela Universidade de Pequim - com quatro aplicações de células-tronco (atravavés de injeções lombares) retiradas de cordões umbilicais.
Em cada injeção, são lançadas na espinha (indo direto para o cérebro) uma quantidade que varia entre 10 e 15 milhões de células-tronco. Essas injeções serão intercaladas com aplicações diárias de NGF - fator de crescimento neural - que ajuda as células-tronco a crescerem e se multiplicarem. O tratamento inteiro dura entre 20 e 25 dias. "Os resultados são surpreendentes. Não estaria fazendo esta campanha se não tivesse base para acreditar que a minha filha pode ter melhoras significativas, ficar praticamente curada", afirma Carlos.
No site da campanha de Clara, estão listadas reportagens publicadas em alguns dos principais jornais do mundo com exemplos de outras crianças que foram até até Pequim fazer otratamento com células-tronco. Na verdade, em uma rápida busca de informações na internet, fica claro que está havendo uma verdadeira corrida de pessoas do mundo todo em direção à China.
O país asiático possui o maior banco de células-tronco do mundo. Uma das explicações para isso é o fato de que, no país, o controle de natalidade permite que as famílias tenham apenas um filho. Por isso, o aborto é legal. E as células-tronco são retiradas dos fetos abortados. Não é o caso específico do tratamento de Clara (que, como já foi dito, receberá células retiradas de cordões umbilicais).
Cobaias - Uma outra brasileira chegou à China no início deste mês justamente para fazer este tratamento com células-tronco retirada de fetos abortados. Daniela Bortman tem 25 anos, é estudante de medicina e filha de um neurocirurgião. Em 2006, sofreu um grave acidente de carro na rua de casa, estava sem cinto de segurança, e acabou ficando tetraplégica. O caso de Daniela foi exibido no programa Fantástico, da Rede Globo, no final domês passado. No aeroporto, minutos antes do embarque, ela falou: "Para mim essa cadeira não me pertence. Não tem um dia que eu não acorde só para melhorar. Eu tenho certeza que vou voltar a andar. É o que me faz estar viva. Eu vi uma luz no fim do túnel, uma luz de esperança".
Daniela será submetida ao tratamento feito pelo médico Huang Hongyun, que utiliza células retiradas do nariz de fetos abortados, com até quatro meses de gestação. O preço é de R$ 40 mil. Para os médicos do Ocidente, o trabalho do chinês ainda é um experimento arriscado. Especialistas dizem que os pacientes são submetidos a condição de cobaias.