Se esta reportagem estivesse na sua caixa de e-mail, dificilmente você iria ler até o fim. Ela possivelmente
 Aline e Carlos beijam a filha Clara, que tem paralisia cerebral. Foto: Leti/Fiocruz |
duraria alguns segundos. Talvez três ou quatro frases. Até que você percebesse que se tratava de mais uma dessas correntes que circulam e se mutiplicam pela internet. Mas como aqui não há a opção "excluir", resta a escolha entre passar a página ou seguir lendo para conhecer a história de uma menina que acabou de completar um ano de vida. Que ri com qualquer carinho, retribui sorrisos com sorrisos. Que se encanta quando é abraçada e beijada pelos pais e tenta esticar a mão para tocar seus rostos. Tenta, mas não consegue. Ela tem paralisia cerebral.
"Se eu tivesse um mínimo de conhecimento sobre a paralisia cerebral, se tivesse pelo menos lido uma reportagem ou texto na internet sobre isso naquela manhã, minha filha não estaria assim", lamenta Carlos Edmar. Esta não é bem a reportagem que Carlos queria ter lido na manhã do dia 11 de setembro de 2007. Mas é exatamente o texto que ele espera que todos leiam. Não apenas para conhecer um pouco mais sobre a paralisia cerebral, mas, principalmente, para conhecer Clara.
Saiba maisA paralisia de Clara
Causa: Hipóxia pernatal - Baixos níveis de oxigênio no cérebro na hora do parto.
Tipo: Atetóide - O controle dos músculos é interrompido por movimentos involuntários e descontrolados. O controle da postura também é prejudicado.
Conseqüências- A menina tem dificuldade em todos os movimentos motores. Não consegue andar, nem mesmo pegar ou tocar as coisas. Também há um comprometimento no tronco e Clara não consegue sentar. A cabeça dela não fica na posição correta por muito tempo. A paralisia também compromete a fala e a alimentação e ainda causou um estrabismo em seus olhos. A inteligência não foi afetada em nada.
Células-tronco
O que são células-tronco
São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal. Elas possuem grande capacidade de transformação, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Também têm capacidade de auto-replicação.
O que a lei brasileira diz
Em 2005, foia provada a Lei da Biossegurança que regulamenta o uso dessas células em estudos ou no tratamento de doenças. Mas poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados.
O banco brasileiro
A Anvisa informou este mês o resultado do primeiro censo do material disponível em clínicas de reprodução assistida do país para pesquisas e terapias com células-tronco. São 26.887 embriões humanos produzidos por fertilização in vitro. A legislação autoriza apenas o uso de embriões considerados inviáveis ou congelados há 3 anos e até 28 de março de 2005.
Avanço na Bahia
Terminou ontem em Salvador o Congresso Brasileiro de Genética, onde pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da Bahia reforçaram o pedido de autorização para testar o potencial das células-tronco adultas para ajudar pessoas que sofreram lesões namedula espinhal e ficaram com parte do corpo paralisada. Eles apresentaram resultados animadores em animais. Cães e gatos paraplégicos voltaram a ficar de pé.
Serviço
Como ajudar
Site: http://www.umrealporumsonho.com.br/