O plano de fuga frustrado, elaborado por um grupo pernambucano ligado à organização criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), pretendia provocar pânico no estado com explosões de três presídios e cerca de 100 mortes. Os assassinatos seriam cometidos em massa durante fugas simultâneas previstas para acontecer nas unidades prisionais do Aníbal Bruno, de Igarassu e de Limoeiro. Além da fuga com detonação dos muros prisionais, os homicídios deixariam a marca do PCC no Nordeste. Se tivesse funcionado, com a participação inicial de 18 pessoas, o ataque levaria abaixo todas as ações desenvolvidas neste ano pelo Pacto pela Vida. "Era uma operação extremamente diabólica", afirmou o secretário estadual de Ressocialização, Humberto Viana. "Cerca de cem pessoas deveriam morrer durante as fugas", acrescentou, sem dar maiores detalhes.
O diretor geral de Operações da Polícia Civil, Osvaldo Morais, disse que três homens foram presos em flagrante e um adolescente foi apreendido. Os outros 14 agiam dentro do presídio de Igarassu. Eles recebiam os explosivos em pequenas doses por meio de "mulas" e também iriam repassar para detentos do Aníbal Bruno e de Limoeiro.
Ao todo, foram apreendidos 300 gramas de emulsão explosiva, fogos de artifício, quatro espoletas, fios e dois cartuchos. Tudo junto funcionaria como dinamite artesanal para levar os muros abaixo. Parte do material usado nos explosivos chegava via Sedex, numa casa desabitada, localizada no bairro de Areias. Os produtos eram recebidos pelo adolescente, testados numa oficina localizada no município de Abreu e Lima, de propriedade de Amauri Barbosa Ramos, e enviados para Igarassu. Técnico em refrigeração, Amauri é acusado de dar suporte ao grupo com a produção das munições. Ele foi preso no Bairro do Recife, onde supostamente receberia o material para uma nova dinamite. Já o presidiário Gilmar Mendes dos Santos, baiano, é o líder do grupo no presídio de Igarassu.
Osvaldo Morais explicou que a quadrilha planejou a operação durante quatro meses e pretendia estourar esta semana, com a chegada da última parte de explosivos enviada de São Paulo. O bando tinha até alugado uma casa em Itamaracá para depois da fuga. Além do material encontrado no pavilhão B de Igarassu e na oficina de Amauri, os acusados portavam 16 facas, 18 celulares e vários comprimidos alucinógenos.
Morais acrescentou que os acusados serão redistribuídos em outras unidades prisionais, "de acordo com a periculosidade". Ele admitiu, no entanto, que não podia garantir a desarticulação completa do bando. "Eles (os bandidos) conhecem como funciona o negócio (de montar bombas) e nós os conhecemos. Não é a primeira vez que desmontamos uma operação do PCC no estado. As operações de inteligência vão continuar", afirmou.