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As ruas e os números

Não é fácil encontrar, nas ruas do Recife, sinais do crescimento tão enfatizado pelos números que pulam da boca dos analistas da área econômica. O contrário, sim, e logo na primeira esquina movimentada do bairro de Boa Viagem. Na tarde de ontem, no semáforo que se fecha para facilitar a vida de pessoas como os hóspedes de um dos hotéis cinco estrelas da orla, um homem se aproximou com o corpo coberto de bugigangas à venda, além de enorme disposição para limpar os vidros dos veículos, e foi logo plantando uma cartela de balas no retrovisor de uns três automóvel, onde se lia, junto, mensagem revelando o desmantelo financeiro em que se metera. Depois disso, não recebendo sinal de desaprovação, começou a remover a sujeira do vidro dianteiro de um carro bem popular. Fez a tarefa em cerca de 30 segundos, correu a recolher os bombons e ainda anunciou mais alguns dos seu produtos, mesmo a fila já em movimento. Eram capas para celulares e CDs, proteção para volantes. Ao redor do homem, outros tantos vendedores de quase tudo e prestadores informais de serviços, tolerados a duras penas pela população. Ela apenas evita que a ação seja substituída por um pedido de esmola, mas o dito cujo fica ali, boiando no ar. Quilômetros adiante, na Avenida Agamenon Magalhães, quartel-general dos flanelinhas, ainda tenho tempo de ouvir um deles comentar em tom de protesto, enquanto "trabalhava", sobre a tentativa de um secretário chamado "Zé Braga" de tirá-los da rua. E a desinformação, a maior de todas as misérias, também deu o ar da graça, afinal, o tal secretário, que por um tempo comandou a SDS, nunca se chamou José, mas João. Foi por pouco.

Sem graça // Na tentativa de realçar o excesso de tributos pagos, o deputado federal Inocêncio Oliveira chegou a um nome muito sem graça ao raciocinar que o Brasil, em termos de imposto, se comporta como se fosse a Bélgica e, em termos de serviços, como a Índia - daí porque deveria se chamar "Belíndia". Foi, ontem, durante cerimônia de anúncio das mudanças na administração do TIP e de mais 12 terminais rodoviários.

Pacote seguro // Os reflexos do escândalo da Tavares Correia estão começando a ser sentidos por agências que, ao contrário, sempre andaram nos trilhos. Pais interessados em mandar os filhos para a Disney colocam condição, digamos, esquisita, para se candidatar a um pacote: querem da empresa o comprometimento de algum bem como garantia de que os passageiros não ficarão a ver navios.

Apreensões // Dados sobre a redução do número de acidentes como decorrência da aplicação da Lei Seca o Detran não tem, mas sabe direitinho quantas carteiras de habilitação recolheu de motoristas que foram pegos misturando álcool e direção: 249. Não só quer dizer que a lei está sendo cumprida, mas também que a fiscalização é sofrível.

Interrompidos // A coluna recebeu ligações dando conta da dificuldade de interessados no concurso para preenchimento de vagas no Quadro Permanente de Pessoal do Sistema Público Estadual de Educação. As inscrições pela internet não eram completadas e os telefones não atendiam. Ontem, elas foram prorrogadas para os dias 28 e 29, dependendo da forma de pagamento.

Sofisticação // O coordenador da unidade executora do Complexo Turístico Cultural Recife Olinda, César Barros, fica de cabelos em pé quando alguém sugere uma solução urbanística tipo viaduto para interligar o molhe de Brasília Teimosa ao Bairro do Recife. Prefere sonhar com pequenas ilhas, belvederes e piers espalhados pelo caminho, o que criaria uma paisagem mais humana, com toques de sofisticação.

A quatro mãos // Um inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil no Recife (Anac) teve a idéia, Amaro da Costa, e outro, Roberto Linardi, colocou a mão na massa. Juntos, deram vida às peças de divulgação do XV Seminário Regional de Aviação Civil (Recife Palace, 26 e 27). Tudo em Cordel. Os versos que apresentam o encontro são de autoria de Linardi.

Paradinha // Os telefones do Disque Denúncia estarão parados, hoje, para que todos os atendentes e outras áreas da central passem por uma (merecida) reciclagem. Só voltam a funcionar a partir das 7h deste domingo, mais afiados ainda para o serviço.

Lançamento // Em 192 páginas, o historiador Frederico Pernambucano, um apaixonado pela trajetória de Lampião, conta os fatos da Revolução de 30 no Recife. A festa de lançamento do novo livro, que sai pela Editora Massangana, será em 2 de outubro, às 18h30, no Museu do Estado


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Edição de sábado, 20 de setembro de 2008 
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