Ele comanda nosso raciocínio, movimentos, lógica, intuição. Mas, por desleixo ou excesso de zelo por outras partes do corpo, acabamos por deixá-lo de escanteio. Coração, músculos e a aparência costumam estar na nossa lista de prioridades. E esquecemos o principal. Anos depois, o troco: é ele quem se encarrega de esquecer seus donos. Ao envelhecer, o cérebro apresenta lapsos de memória, falta de raciocínio e lentidão. Sintomas que poderiam ser amenizados, segundo especialistas, com base em uma alimentação balanceada e rica em nutrientes.
Afinal, que poder os alimentos têm a ponto de interferir no desempenho intelectual das pessoas? A constatação é supreendente: há ingredientes que não só fazem bem para o cérebro como são capazes de reativar a memória e o raciocínio. Segundo um estudo feito pelo neurocientista Fernando Goméz-Pinilla, da Universidade de Califórnia (EUA), alguns alimentos contêm substâncias específicas cujo papel é, entre outros, melhorar a inteligência e combater a degeneração dos neurônios. A conclusão tem até nome e regra - a dieta do cérebro, como classifica o médico norte-americano Alan C. Logan, da Universidade de Harvard, autor do livro The Brain Diet.
A médica ortomolecular, reumatologista, nutrologista e fisiatra, Sylvana Braga, do Hospital das Clínicas de São Paulo, diz que, com uma dieta bem feita, e exercícios físicos, idosos podem recuperar as faculdades mentais.
Verde - Um dos principais alimentos listados são os antioxidantes, que eliminam os radicais livres, ou seja, os resíduos das transmissões nervosas. Azeite de oliva, sementes (nozes, castanhas, damasco) e cereais integrais (aveia e gérmen de trigo) são indicados. "A castanha do pará, e as sementes em geral, têm ácido fólico e vitamina E. O ideal é comer duas por dia", ensina a nutricionista Rijane Barros. Ela indica misturar frutas ricas em vitamina C (abacaxi, laranja, limão e goiaba) com vegetais de verde intenso.
Espinafre, brócolis, pimentão, couve-flor e rúculasão a "menina-dos-olhos" da dieta. Segundo estudiosos, esses produtos contêm vitaminas do complexo B, ideais para incrementar a memória, ajudar na fala e combater a demência. Mas o cardápio não se restringe só a folhas e frutas. Carnes brancas (peixe e frango) e abacate contêm o ácido graxo Õmega-3, também presente nas castanhas, substância que torna a membrana cerebral mais fluida e facilita a passagem dos neurotransmissores. "Os carboidratos e as gorduras endurecem o cérebro. As proteínas, encontradas em derivados do leite, soja e peixe, são fundamentais para renovar as células nervosas. Pelo menos, deve-se comer duas vezes por semana", sugere Sylvana.
O aposentado José Francisco da Silva, 78 anos, há três anos, combina exercícios com uma alimentação saudável. Na dieta, inhame, frutas, leite desnatado e carne branca. "Apesar da idade, não sinto nenhum cansaço e me lembro de tudo", diz. Há, no entanto, médicos que recomendam precaução em relação às dicas, sobretudo em grupos de terceira idade. "É preciso buscar a orientação médica antes de optar pelo método", alerta o geriatra Alexandre de Mattos, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em Pernambuco.